O Dia da Consciência Pesada.
Hoje, 20 de novembro, 750 municípios ( inclusive São Paulo que nunca páara) estão parados para celebrar o Dia da Consciência Negra. Curitiba não. Porque? Talvez porque aqui a gente só tem consciência de negro quando ele entra em campo, pula no nosso quintal ou guarda nosso carro.
Seja qual for o motivo, acho que está é mais uma razão para comemorar o novo feriado que eu estou a lançar: o Dia da Consciência Pesada.
Pense comigo: que tal parar um dia para se conscientizar das besteiras que fazemos e falamos. Os erros, as ausências, as intransigências, as quebras de sigilo, de confiança e de coração. Meditar sobre as ligações não feitas, gratitudes não constitucionalizadas, sortes não aplaudidas.
Tirar um dia inteiro para se inteirar de nossas falhas, arrestas, defeitos travestidos de necessidade e falhas camufladas pela pressa da vida. Fazer um reflexão sobre a indiferença e filha da putice disiminada nessa nossa sociedade consumista, egocêntrica e superficial.
Saindo do lado politicamente correto, o Dia da Consciência Pesada é o dia do alívio geral da barra. Quem nunca pisou na jaca? Comeu e não gostou? Traiu? Mentiu? Bebeu com o capeta e vomitou demonios. Viver é um troca.
Às vezes se troca brinquendo bom por quebrabo e quebra-se um coração. Assim parar um dia, frear as ambições, e pensar nas curvas da estrada de Santos, indireita o caminha a frente. Ou ao menos, ensina a beber com gente do bem.
O Dia da Consciência Pesada é do dia da abolição individual. Negros, brancos, marido, mulher, patrão, empregado, ladrão, culpado, todos enfim. Os pastores da TV, por exemplo, estão todas as noites a dizer que temos culpas e tantos erros. E se não mudar e ajudar você é um cara mal. Ter um dia para eles pararem de pregar e pensar que prego também machuca e prende seja também uma forma de redenção.
Falando em redenção, lembrei do Cristo de braços abertos no alto do morro furado de bala.
Talvez esse Dia da Consciência Pesada já exista há séculos. Só que se chama Sexta Feira da Paixão.
eduardo visinoni
Escrito por Johnny Pinguela às 18h21
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Debaixo das saias vermelhas.
Semana passada fui impactado com as imagens da moça de vestido vermelho sendo perseguida pelos corredores da UNIBAM aos gritos de “Puta! Puta! Puta!" e tomei as dores do lado mais fraco. Imagens valem por mil palavras, dizem. Mas imagens também se contradizem.
Por isso agora pergunto: vocês já viram as fotos da Geysi no Orkut?*** Para quem não viu, eu dou uma idéia: imaginem a capa de uma revista pornô chumbrega com ensaios na laje e em praia poluída. Imaginou? Pois as fotos da agora doce Geysi são isso com mais gordura em cima e menos pós-produção por trás.
Nos cliques, nota-se que ela mesma se fotografou e depois postou na web para só o mundo ver. Dai pergunto: o que queria Geysi com isso? Anonimato? Respeito? Emprego de Panicat? O Orkut, para quem tem 20 e tantos anos, vale mais que o RG para reconhecimento da pessoa. Cada foto é como um “relise” dos seus gostos, atributos e capacidade profissional . Desta forma, acho que Geysi é tão vítima do touro como o toureiro chifrado o é.
Vendo suas fotos desinibidas passo a dar crédito aos seus colegas que afirmam: Gleisy, ao receber assobios iniciais nas rampas da “facu”, simplesmente levantou a saia e saiu mostrado o bunda ao estilo de putona de beira de estrada. Dando essa bandeira de largada para manada de bichos podia acabar em tudo, menos em nada. Lógico, repito em negrito, lógico que isso não justifica a ação da massa, mas se entende.
O caso inteiro, ao meu ver , não foi culpa do vestido vermelho colado, da transparência, do decote ou da altura da saia, foi sim da atitude de Geyse em si. Uma pessoa pode ficar nua e ser casta, responsável de seus atos. E outra pode se vestir de freira e ser uma vaca, insana como a Madonna bem sabe fazer. Não sou casto e estou longe de ser insano. Geyse, ao se achar em uma zona, laje ou fundo de mato, quebrou um regra tácita. Da mesma forma que não pega bem ler livro de Física em suruba, não se mostra o cú em faculdade. Ainda mais num curral de ensino como a UNIBAN onde animais campeam por rampas e pastam na classes.
Resumo da opereta pornô-educativa: nessa história não tem santo. A aluna, os alunos , a faculdade Unibordel , o MEC que deixa abrirem escolas como quem abre pernas, o governo cafetão que só messura os dividendos políticos, e os eleitores são todos uns vagabundos enfiados embaixo de um saia vermelha chamada Brasil.
*** http://bobagento.com/orkut-da-geysi-da-uniban/
Escrito por Johnny Pinguela às 16h13
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Hoje, 12/11/09 fui oficialmente informado pelo Governo da Italia que eu e meu filho e meu upai agora temos cidadania italiana. Mais que um passaportte, ganhei uma origem maior, al'em mar. Veja como chegamos aqui Essa gente de fora. Fui vítima do preconceito. Não sou negro, judeu, gay, argentino nem mesmo palmeirense mas sofri uma discriminação racial. Um curitibano disse que sou “de fora”. Quem é “de fora” em Curitiba sabe quantas minhocas tem debaixo dessa pedra. Podia escrever sobre isso, mas não quero me sentir mais de fora que estou. O fato é que o “de fora” na cara me fez pensar sobre minha origem. Sabem, se sou de algum lugar, sou de Itararé-SP. Mas lá nunca me senti “de dentro”. Nem em São Paulo onde tanto vi, nem Florianópolis onde comecei a escrever, nem mesmo em Paris onde queria viver. Na realidade me sinto sempre “de fora”. O que me faz pensar que isso é coisa do sangue. Meu bisavô, Giovanni Visinoni, foi o “de fora” original. Nasceu em vilarejo na Itália chamado Rovetta mas não devia ser sentir tão “de dentro” por lá. Pois foi estudar e trabalhar fora. Daí um dia deve ter olhado o oceano e veio-lhe a vontade de dar o grande salto. E lá veio “nôno” desbravar o Brasil. No Paraná, Giovanni virou João. Podia sossegar a mola propulsora dos desbravadores, trabalhar o jardim e, finalmente, se sentir de dentro em Curitiba. Seria fácil. Afinal naqueles idos todos, polacos, carcamanos, galegos, chucrutes, eram “de fora” . Mas João, ao contrário de muita gente que chegava a Curitiba, tinha um diploma de engenheiro ferroviário e olhar perdido no mar de Araucárias. Assim, após trabalhar nas obras do ramal Curitiba/Paranaguá e na ampliação do estação ferroviária de Curitiba ( onde atualmente os curitibanos da gema compram marcas locais como Puma e Dolce & Gabanna e se entopem com o quitute da terra chamado Mac chiken) meu avó foi para dentro da Amazônia de mato, feras e perigos que era segundo planalto. Por lá projetou ferrovias que levaram o imigrantes mais para o interior e trouxeram riquezas mil para a capital. Depois de construir vários caminhos para o progresso e até virar nome de estação ferroviária, João Visinoni fincou raízes como fazendeiro em Irati onde plantou um pinheiro, casou e teve 9 filhos. Um dia triste, numa disputa com grileiros "de fora" que invadiram suas terras, João foi morto na frente de seu filho de oito anos , Victorio. Compreensivelmente, Victorio crescido abandonou o campo e seguiu caminho reto e leal na estrada de ferro. Como seu trabalho levava de estação em estação imagino que Victorio nunca se sentiu muito “de dentro” em lugar algum porém teve cinco filhos e se estabeleceu como Chefe de Estação na importante ramal de Itararé, a Sentinela da Fronteira, por onde passava toda a riqueza do sul, do Uruguai e da Argentina. Nessa época a vida era solta e emprego bom, tanto que outro João, o Joãozinho, filho mais velho do Victorio seguiu o passos da família se equilibrando pelos trilhos. Mas.. ( sempre tem “mas” na vida da gente “de fora) ...o Brasil, após investir um século nas ferrovias, resolveu espertamente ouvir os conselho das montadoras e passou a fazer estradas de asfalto. Victorio morreu novo, em 1962 , bem antes de ver os trilhos assentados por ele, serem amputados do chão e sua estação virar uma delegacia e seu filho mudar com esposa e dois filhos para São Paulo. Em São Paulo, apesar do mar com gente “de fora”, Joãozinho nunca se sentiu muito em casa pois lá em sampa ele era “do sul”. Por isso, um dia, após quase 100 anos, outro João Visinoni, meu pai, chegou em Curitiba. Isso foi há 17 anos. De lá pra cá tanta coisa aconteceu. Eu cresci, casei, mudei para Alto da Glória e escrevo sobre o bom de viver aqui.Outro dia fiz uma conta e descobri que vivi mais aqui que em qualquer outro lugar. Mas dizem que sou de fora. Fazer o que? Se meu bisavô tivesse se fixado aqui talvez hoje eu seria “de dentro” mas talvez Paraná tivesse menos ferrovias e menos riquezas provenientes dela. Quem sabe? De certo mesmo é que meu filho, Francisco Visinoni, nasceu em Curitiba e se sente feliz no Alto da Glória. Espero que ele cresça aqui. Mas, mais importante, espero que ele cresça de coração aberto, vontade de melhorar e com olhar esperançoso da gente “de fora”. Quem tem um lugar constrói muros. Não devia ser assim mas é. Um dia se acorda e todos os estranhos estão do lado de fora e você esta preso dentro. Johnny Pinguela. 29 de março de 2009.
Escrito por Johnny Pinguela às 16h01
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A vida começa aos 40... de braço Por conta de uma falência e uma demência, tive umas mudanças ultimamente. Não sou homem de mudanças. Para eu mudar de time, de barbeiro, de bar, não rola. Como mudar de sexo. Mudanças implicam desapego e eu me meio velcro existencial, grudando em tolices. Não à grana, “a fama ou outras coisas de valor, mas a pessoas e sensações. Gosto de reler livros, poemas, mulheres. Gosto de inventar novos apelidos para velhos amigos. Gosto de sentar na mesma cadeira no boteco velho, ver a rua passar novidades pela porta, sorvendo gole a gole a idade. Não me entendam como um chiclete grudado no ontem. Gosto de andar por ruas novas, trocar de calçadas e descobrir vistas inusitadas do lado de lá. Novidades me interessam. Lugares marcados na mesa me confortam. Mas, como disse, por conta de uma falência e uma demência, tive umas mudanças ultimamente. A velha academia, onde treinava há tempos, faliu. Na academia eu era um dos últimos alunos a acreditar em sua recuperação financeira. Errei. O mundo das academias muda a cada estação e a minha, no ímpeto de ter todos os esportes, foi tudo no seu tempo. Porém, havia se tornado grande, inoperante, defasada como lamba-aeróbica no mundo do power-pilates. Assim tive que buscar nova academia e aí a demência entrou em ação para ajudar na mudança. Um tipo menor achou por bem me cortar de sua folha de pagamento. Não que eu fosse caro ou inepto, mas eles queriam menos. Como a grande academia, eu tinha salas demais, esporte demais: ninjitsu, dança, natação, esgrima, xadrez, bolinha de gude, enfim, fumos de algo maior. E eles queriam uma salinha com alguns pesos soltos e gente de braço fino tentando ser Stallone. “A vida começa aos 40... de braço”. Bradava Nelsão, um fortão gente fina na antiga academia. Nelsão mudou. Eu mudei. De academia, de emprego, de olhar e vida, mas não de postura. Sigo querendo mais. Mesmo que hoje em dia isso me deixe menor. 11/11/ http://www.youtube.com/watch?v=TH_fFzU2E08&feature=player_embedded
Escrito por Johnny Pinguela às 10h32
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O chapéu único. Cada vez que eu entro na C&A as roupas me impurram mais e mais para o fundo.No fundo, mais preto, marron e pastel, é onde ficam os modelos para quem não quer se fantasiar de funcionário da MTV. Entretanto, hoje no almoço, um artigo me segurou na parte de frente da loja. Era um chapéu. A moçada da hora está usando esse chapéu tipo Panamá "redux" porque viu alguém numa passarela ou propaganda usar, achou novo, inusial, moderninho. Mal sabem que o modelo tem mais de 60 anos. Nat King Cole, o Key West dos anos 50, usava esse chapéu malandro e eu quero usar para roubar um tanto de seu charme e resfrescar a cabeça no verão. O caso é que após ver que o preço me servia ( R$ 39,00), ao olhar o tamanho da peça uma lingueta me informou que ele era do tamanho "UNICO". Sabem, tem dente de coelho nisso de tamanho "UNICO". Como assim tamanho "UNICO"? "UNICO" para quem? Não para mim, para meus anceios panamenhos, para meus sonhos Nat King Coles e muito menos pro descomunal cabeção. Dai já viu. Ao calçar o tal Panamá o tamanho "UNICO" não coube. E não podia ser diferente. Porque eu sou um cabeçudo ( número 59 ) e porque tamanho "UNICO" é na verdade o selo da ditadura da média. Amigos, já vivemos a ditadura do proletáriado, a ditadura do militáriado e agora vivemos sobre a bota Carmim da ditadura do mediano. É a média que empurra o pendulo para centro e Jesus para Judas. É a média que pinta a morrenas de loiras e os carros de prata. A média faz Menu ter número, criança ter nome de estrela de novela e começarem frase com "Então". Dai, fora da média tudo é ruim, longe, disléxico e sem cabimento. Assim, a moça de vermelho na facu vira puta , o corpo um campo de batalha e eu um cara sem cabimento.
Na minha infância eu era ruivo, sardento, cabeçudo e fora da média. Vivia a ler, ouvir Nat King Cole e pensar em coisas únicas na vida como o sabor de jabuticaba no verão, pipa no céu, crinas morenas ao vento. Dai, cresci um tanto, o ruivo escureceu e o tamanho único ainda não me cabe. Por isso o chapéu ficou no seu escaninho padrão e eu cai na rua do centro velho de Curitiba sem um Panana para me aliviar do verão. Vendo vitrines da moda, cassarões pixados e gente escorrada em bobagens para se situar pensei comigo que se tem um chapéu único nesta vida é aquele que calçamos por dentro.
Escrito por Johnny Pinguela às 16h53
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E a vida, continua? ( por um ano sem Raquel Maria) Uma das coisas que leva a humanidade para frente a capacidade de continuar. O amor se acaba e gente segue. O emprego é perdido e a gente segue na luta. O time cai e a gente segue na torcida. Em toda reportagem sobre enchente, sempre tem uma pessoa ensopada com olhos fixos no horizonte a dizer “é...a vida continua”. Mas existem momentos que essa capacidade de ir adiante vira defeito. Há dois dias, a menina Raquel Maria foi encontrada morta dentro de um mala na rodoviária de Curitiba, e vida continua na cidade. Uma criança de nove anos na volta da escola foi sequestrada, violada, assassinada e abandonada numa mala. E continuamos todos nós com nossa vidinha. Intimamente, até sentimos um horror retido, um leve pesar, daí damos graça por não ser nossa filha e continuamos com nossa rotina. Essa capacidade de assimilar o horror é tão assustadora como um menina morta em um mala. Ao continuarmos levando a vidinha cotidianamente, matamos a tal da indignação, qualidade essa que nos leva para cima. Ano passado um torcedor italiano de futebol morreu a caminho do estádio e toda a rodada italiana foi cancelada. Por aqui, na noite de Natal, dois operários morreram eletrocutados numa rave e a festa seguiu na maior vibe positiva. A capacidade de assimilarmos o horror anaboliza o horror. “Pelo menos a mala era grande e a menina não foi esquartejada” dirá alguém. Se Raquel fosse nossa filha, neta, irmã ou amiga, a vida parava. Então, por levarmos sorte desta vez, vamos a adiante que atrás vem gente? Não sei como tem passageiro indo aquela rodoviária em busca de um destino outro que meditar a dor por essa perda. Se fossemos civilizados, como pensamos ser, os ônibus deviam parar de chegar e sair do terminal. Os carros deviam parar e rodar, os garçons de circular, os aviões de decolar, os jornais de roubar fotos da menina do Orkut e de escrever coisas tolas sobre os dela pais. Não haveria mais aula de cidadania em escolas, nem madames indo a shopping ou outros viciados se aplicando. Não tinha televisão abutre de carniça, nem propaganda de refrigerante vendendo zoeria, nem prostíbulos de pernas abertas. Nenhum polícia enrolaria, nenhum político escorregaria, nenhum ladrão roubaria, nenhum banco pediria empréstimo, nem bolsa alguma teria valor . Ninguém gastaria tempo com decoração de Natal bem como com votos de um feliz ano novo. Uma criança morreu! Uma semente foi pisada! E não haveria ano novo até que a gente compreenda que Raquel Maria somos nós. Todos nós! Sua perda é a perda de todos que a conheceriam em vida e todos que viveriam depois dela ter vivido plenamente. Também, nosso silêncio paralizado coletivo, diria a todos o demônios desse e de outro mundos que isso era intolerável, impraticável e não ficaria sem punição. Ou, melhor ainda, es-que-ci-men-to. Assim, talvez, com uma pontinha de luz no peito, poderemos todos nós erguer a cabeça, suspirar longamente. eE, enfim, dizer a frase de quem nada tem além de seguir em adiante. Johnny Pinguela. Novembro de 2008
Escrito por Johnny Pinguela às 09h44
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Elejamos Judas, então.
Ela vence. Inocenta, alivia, promove, elege e reelege. Vende bem, paga mensalão e até compra o amor verdadeiro. Coloca a culpa em inocente e traz a qualidade do distraído para perto. Engana o cego e encanta o surdo. Remunera, faz propaganda premiada, corre o mundo, faz presidente bonzão. E dizem que ela tem pernas curtas. Que nada, a mentira é que faz o mundo rodar. A verdade? Verdade mal paga a viagem de pé. Mentir rende carreiras, convites, liberdade, cara limpa, grana, horizontes. E verdade rende o quê? O olhar altivo do derrotada na fila do antidoping. Mentirosos são gente bem quista, afamada, poderosa, intocável. Gente que fala verdade morre seca de desgosto. Pode ser câncer, aids, droga, divórcio, fome, mas isso é sintoma. Por traz de tudo vem a idéia de jerico de querer levar a vida na verdade. Engula a língua quem fala mal da mentira!!! Engula!!! Mentir limpa, corrige, dá vantagem e empurra a humanidade pra frente. Verdade, quando empurra, é para o bar esquina e para a escadaria do esquecimento. Pra que cumprir a promessa de campanha de eleição se o povo pede milagres a Santo Expedito? Por que não elogiar a gravata feia do chefe se é do chefe? Pra que correr uma maratona se pode tirar a foto na linha de chegada? Por quê? Pela vergonha na cara! Medo do tribunal! Ética profissional! Ou porque Deus tá vendo! Deus é o pingo d’água na cabeça de quem entra no fim da fila, não de quem fura lá dentro do salão. Dizem que mentira é coisa de fraco. Calúnia! Difamação! Perseguição política! Inveja pura! Pra mentir é preciso coragem, discernimento, técnica. Verdade você diz e foi. “A impressão digital na arma é minha!” Mentira é preciso pensar, sustentar, decorar, dormir e recitar. “A arma era do meu primo, eu estava levando para consertar e esqueci de colocar luva... Bela gravata, delegado.” É, amigos, mentira leva tempo e dá trabalho. Judas teve que ser muito bom para sear com o Senhor. Mentira é coira para gente batalhadora e talentosa. Por isso, quem fura a fila do show merece o silencioso respeito e admiração da fila. Meu conterrâneo Solda, que é cartunista de mão cheia e bolso vazio, diz: "Meu pai me ensinou a ser honesto, por isso devo a ele tudo que NÃO tenho". Grande verdade, Solda! Grande verdade! Mas que devia ser mentira, devia.
Escrito por Johnny Pinguela às 15h13
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O dedo de Deus é amarelo? Na hora do almoço sou apresentado João Dias de Lima. Seu rosto e nome abreviado aparecem em letras grandes na tela da TV-LCD. JDL tem 19 anos e foi preso por tráfico. Até aí nada de mais. Em todo programa de polícia na hora almoço o prato fixo é um traficante pobre sendo preso. Não entendo bem porque todo traficante preso em programa da hora do almoço é sempre favelado, cabeludo, desdentado e veste camisa do Raul Seixas. Será que tráfico não é bom negócio? Seja como for, JDL não é um traficante normal. Seu crime foi plantar UM ( 01 ) pé de maconha num matagal e depois contar vantagem disso para os amigos. Daí para a informação chegar num desafeto e dele para o 190 fui uma tragada. Maconha é crime e a polícia fez bem em prender JDL. Mas os oficiais da lei não fizeram o serviço completo. Deixaram o resto da quadrilha escapar. Sim, porque o sol como olheiro celeste deu cobertura para jogada. Na raiz do crime, o solo deu suporte e nutriu a maldade. Enquanto a chuva regularmente levava goró para o mocó. E mesmo a sementinha, com uma pinta de inocente, podia ter escolhido ser florzinha mas seguiu o rumo da maconha no matagal. Tão todos mancomunados. Por que só deu cana para o JDL que apenas meteu o dedo no chão? Ao contrário de JDL, os demais elementos graúdos da quadrilha tem antecedentes. Estão envolvidos em plantios bem maiores e muito mais rentáveis espalhadas por esse Brasil de meu Deus. Falando nisso, Deus deve ser o chefão por trás disso tido. Afinal, ele não fez tudo, sabe tudo e controla tudo? Deus é pai, certo. Mas, como Don Corleone, seria padrinho? Alguém dirá que maconha é a erva do diabo. Pode ser. Então, porque invés da chuva, não cai um raio em cima do muda de satã? Ou o solo não cospe a semente tal qual caroço de azeitona em boca de Português? Na real, podem falar e debater, mas não consigo entender como plantar uma semente seja crime. Semente é como o átomo. Com a energia do átomo você pode iluminar uma cidade ou pulverizá-la. Construir uma nave para estrelas ou encobri-las com fumaça. Dependendo da pegada, mesmo uma Rosa branca pode rasgar seu pulso.Os selvagens sabiam disso. Mas o homem civilizado em sua sabedoria diz que JLD é um criminoso e ponto final. Vai tocar piano na delegacia e dormir em pé enquanto os cabeças estão soltos por ai. Pago meu almoço, saio . Um Space Fox da Volks passa com 4 pranchas de surf na capota. É sexta e faz sol. Dou alguns passos e sinto perfume de rosas no ar. Johnny Pinguela. http://br.youtube.com/watch?v=d2u8TAedFDA&feature=related
Escrito por Johnny Pinguela às 10h07
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“O primeiro a abraçar o campeão!!!” Essa frase genial, no final da Grande Prêmio Brasil de 2009, é do Galvão Bueno . Foi o jeito que o gavião arrumou para juntar “Rubinho Barrichelo “ e “primeiro” numa mesma sentença. Há 15 anos a Globo tenta colocar Rubinho em primeiro. Como via de regra o "as" quebra, bate ou chega de segundo pra trás, Rubinho agora paga de campeão do "Fair-play", companheirão, bom moço, paizão, filho, etc. Tudo menos campeão real. Dizem aqui do lado que, se tenho raiva dessa imagem malhada, a culpa é da Globo e não do piloto em si. Concordo com a parte da emissora interesseira mas não com a inocência do “prodígio” . O fato, amigos, é que Rubinho é conivente com tudo isso. Já que para confirmar uma mentira precisa-se de um cúmplice. Rubens tem negócios com a Globo e ganha muita grana com essa cortina de fumaça dele ser a promessa, a surpressa, o cara que chega. Já imaginaram se Rubinho fosse jogador de futebol? Romário (no lugar de Senna) morria num acidente em 1994 e menino promissor era guindado a posição de super craque. Todo ano lá vinha Galvão com o papo de ser o ano do Rubinho e ele naufragando no mar, perdendo gol feito, torcendo o pézinho, choramingando da arbritagem. Quanto duraria esse máscara sem capacete em cima? Me dizem que Rubinho, por ter uma fortuna, não é burro, nem loser, nem chorão. Ok! Se o dinheiro compra até o amor verdadeiro, olho no olho, o que dira de um simpatia de soslaio? Mas se fez fortuna, Rubens tem também uma dívida de 15 anos com o Brasil. Deve os tubos por arregimentar nossa esperança de vitória sabendo que isso é quase involuntário, espasmódico, anedótico. Deve por vandalizar um patrimônio construído por Fittipaldi, Piquet e Senna e fazer muita gente ( como eu ) deixar de gostar de corrida.Na verdade, além da riqueza, da simpatia, do bom mocismo ou da falada coragem , Rubinho é um bom de um paga-lanche. Tá na cara! Não tem "Eye de tiger" e não tem um Apolo doltrinador para ensinar a ter. Assim, ele está para o circo da F1 da mesma forma que Dedé Santana está para Os Trabalhões. Quem pode difamar Dedé? Me diga, quem? Didi é gênio, Mussun bom pra caralho, Zaca viado e Dedé ? Bem , Dedé é escada. Rubinho é uma escada aerodinâmica de alto desempenho, um trampolim de fibra de carbono para outros alcançarem glórias, foi papagaio de pirata de alemão e agora é boneca bate palminha do Jason Button. Prova disso é que de bom grado, no dia de sua derrota em casa, no quintal da vovó Donalda, Rubinho gentilmente cedeu, como cedeu tantas posições, seu jato particular para novo campeão voar daqui com a taça na mão. Se fosse mais próximo do coragem que a Globo propaga, seria ao menos um mal perdedor, bêbado, brigão e desesperado. Mas isso podia lhe custar contratos, acordos e convites para o Especial do Roberto Carlos. Então, o jeito é rir bobão e aplaudir quem tem menos emissora por trás e mais ganas de vencer. Por fim, duas coisas me ficaram desta temporada 2009: a mola na tempora do Felippe Massa e o sorvete na testa no primeiro a abraçar o campeão. Felipe Massa, ao menos, o ano que vem pode se recuperar.
jp. outubro de 2010
Escrito por Johnny Pinguela às 04h09
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40 dias para 40 anos.
A área em torno do terminal de Guadalupe é mal vista pela gente que vive em volta shopping e colunas sociais. Por isso é bem quista por mim. Não sei porque disso, deu gostar do que desgostam. Acho que talvez seja eu um cara que gosta de olhar para a outra margem da moda. O fato é que, como um cão em busca de osso enterrado, eu sempre fuço pela bandas do Guadalupe. Outro dia, dei sorte.
Um brexó com os dias contatos fazia uma liquidação. Não como essas liquidação de shopping que nada mais são que vender as mercadorias ao preço justo. Liquidação total, daquelas que você sente que está a roubar as compras. Com calça a dois reais e casaco a cinco, o brexó tava praticamente dando as peças. Assim, com uns trocados amassados, enchi a sacola com roupas fora de moda e por isso mesmo "pret a porte" para virar vanguarda.
Sabem, o tempo de janela me insinou qye moda é bumerangue. Tudo está a meio caminho da capa de revista ou do fundo da gaveta. Assim comprei um calça do começo dos anos 90 para meu amor. Se você é muito novo ou muito velho para lembrar das calça dos anos 90, eu desenho. Elas tinham um cintura super alta, acima do umbigo, eram mais soltas no quadril e apertadas na pernas. Assim murchavam o pneu e escamoteavam a barriguinha, torneavam o pandeiro e alongavam as pernas e faziam as mulheres mais felizes, satisfeitas consigo mesmas.
Já hoje, com estilista gay desenhando roupa para modelo anoréxica ser aplaudida por imprensa vesga, está cada dia mais difícil ser gostosa. Não bastasse isso, comparada com o jeans de outrora, descubro o jeans não é mais jeans. O jeans real é grosso, aspero e duro . E num mundo da moda, os estilistas querem isso dentro das calças e não nelas. Assim a cintura escorregou, pandeiro virou tamborim, as coxas parecem braço e jeans afinou, amaciou e agora é um paninho azul que caí bem apenas nas marombadas, nas esfomeadas e nas loucas. Coisa que meu amor não tem tempo, nem estômago e nem insanidade de ser.
Sabem, em 40 dias meu amor faz 40 anos. Tem um filho crescendo, um trabalho pesado e um amor pra chamar de seu. Meu amor, não pode voltar aos anos livres, leves e soltos dos 90. Mas pelo menos agora pode ter a calça que lhe cai perfeitamente bem por fora e por dentro. Se não podemos mudar o modelo que o mundo me impõe, dá para manter o tesão pelo amor que encontramos na mundo.
Escrito por Johnny Pinguela às 10h56
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Amigos, ajundem eu levar meu filho Francisco para a Disney. Minha frase foi selecionada para fase final do um concurso do Ponto Frio. Agora, os internautas escolhem a melhor. Por favor, acessem o link abaixo e cliquem nas estrelinhas embaixo da minha frase. Bjs a todos. JP Este é o link para minha frase: http://diadascriancaspontofrio.com.br/filmes-194/
Escrito por Johnny Pinguela às 09h43
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O Galho Guerreiro. Entre a Igreja do Couto Pereira e o Estádio do Perpétuo Socorro, ele se ergue como um Cristo renascido. Ou , dependendo de que lado da rua você torce: um time retornado da segundona.
Devia ter vergado, rebaixado, murchado, morrido. Mas não. Alí está o colosso para quem quiser olhar. Verde, punjante altivo e plantado na cobertura de uma parada de ônibus. Na pressa da manhã ele me pára e eu embarco no seu mistério. Como pode um galho pode viver sem árvore, raiz ou terra?
Que eu saiba, teto de zinco só foi fértil para o compositor Cartola. Raízes não vingam em aço. Galho não vive sem tronco. Vida não existe sem fé. Por isso talvez, alí está ele, pelejando pela vida como São jorge pela boa causa: o Galho Guerreiro.
Paulo Coelho diz que Deus nos fala através de sinais. Eu não acredito muito em quem apareça em capa de Caras, mas acredito em Deus. Ver um galho morto sobrevivendo me dá um tipo de sombra branca e boa.
Sabem, há tempos eu perdi o trabalho que me dava sustento. Mais que isso, me dava sentido. Eu era então um galho promissor de uma grande árvore. Escrevia, tinha idéias e preenchia folhas e mais folhas com elas. Um dia um vento traiçoeiro soprou e eu voei. Busquei por um canteiro novo para me enraizar mas às vezes os corações podem ser áridos como paralelepípedos e só limo cresce por entre as frestas. Assim fui condenado a vagar como arbusto em filme de cidade fantasma. Girei por São Paulo, rodei por Floripa, fui fundo do poço e voltei para o Alto da Glória.
Como o galho verde, sigo vivo sobre o zinco quente. Como um cruzado desterrado , sigo sem chão. Como Ronin, sigo sem paz. Como São Jorge, sigo na luta. Com raízes incertas, apenas a fé me nutri e os sinais me mantem em pé. Talvez eu cresça e faça uma sobra branca e boa. Ou talvez, não. De certo, por hoje, só por agora, o galho guerreiro me alavanca para amanhã.
johnny pinguela. setembro 2009
Escrito por Johnny Pinguela às 10h10
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Somos todos Cariocas. Se ser brasileiro é uma classe em recuperação, o carioca senta no fundão, chega atrasado mas quando abre a boca todo mundo olham, ri e dança. A mulheres gostam do seu jeito despojado, dragão tatuado no braço, coração de eterno flerte. E os homens, acham o mesmo das primas deles. Porém, alguns atributos do carioca pagam por defeito em outros estados, países. Malandragem não é invensão de carioca porem quem registrou a patente foi ele. Mas com aquelas montanhas, aquele mar e aquelas mulheres, quem não inventaria um jeito de não ir ralar?
Agora, que o Rio quer ser sede de olimpíada dizem que não vai rolar . Dizem que tem cidade melhor preparada, com gente mais ordeira e determinada , senão casta. Falam que Tóquio é limpa e segura e o Rio uma chiqueiro perfurado de bala perdida. Comparam a certeza de Madri com a aposta que é o Rio. Que Chigaco tem Obama e a grana. Por isso, não pode. Bah!
“Yes, we can!”. O Rio, como próprio Obama, por ser diferente é a melhor opção. Por que? Porque e esporte é preparação, surpressa e superação. E o Rio em sete anos, pode ser limpo, verde, planejado, despoluído e tão seguro como uma Curitiba. Ok! Eu fui assaltado outro dia no centro de Curitiba. Mas podia ser assaltado igual em, Chicago, comprar cocaina em Madri e ser enganado em Tóquio. E de mais a mais, esse troço de Olimpíadas, é coisa de grego. Povo que adora o sol, o mar, a devassidão da carne e as tragédias gregas. Coisa que o Rio tem de sobra. Então, vamos parar com esse papo de que Tóquio é limpinha. Isso aqui é eleição de diarista por acaso? Tóquio, perto do rio, é sushi de isopor. Chicago, por sua vez, é fria, sem mar e tem tanta favela como que o Rio só que nenhum samba de roda. E Madri ? Bom, Madri é legal, mas tem o defeito de estar cheia de espanhol que nada mais é um Argentino que acha mais que Argentino. Então, Rio é Brasil. Brasil é América Latina e , hoje, do México para baixo somos todos cariocas. Fui-me.
Escrito por Johnny Pinguela às 10h22
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O inconformado. Outro dia um sujeito me chamou de “inconformado”. Não sei ao certo o que ele queria dizer . Pessoalmente me vejo com um lenhador de paladras, que a golpes de teclas, vai devastando o branco da página. Mas acho que tenho caracteristicas de inconformado. E ai minha questão: ser inconformado é defeito? Dá pra colocar incoformismo no Curriculum Vitae? Ganhar mulher mostrando revolta? Ou é vergonha ser não se conformar com sentido do rio? Vejamos: o inconformismo na essência é um tipo de combustível para mudança. Aquele macaco que desceu da árvore e andou em pé era inconformado com sua condição de quadrupede. Por sua vez, Santos Dumont olhava o céu e não se conformava em ver todo aquele azul só para o gavião. Sem inconformismo futebol acabava com dois a zero. Todo jogo que é virado, assim como toda situação adversa, é vencido com suor, com raça e com inconformismo no bico da chuteira. Então me parece que inconformismo é uma coisa boa. Até porque, Jesus Cristo era um inconformado. Do contrário seguia fazendo mesa e cadeira na modorrenta Belém e dizendo amém para filisteu. Por outro lado, hoje em dia, com tanta fila, lei e ordem, inconformados não são lá bem vindos. Na verdade são tratados como como alguém que peida em um elevador lotado. “ Pombas! Além de pagar condomínio alto, parar em todo andar, agora temos que tolerar o fedor que esse inconformado exala. É como diz Edir Macete “ Em terra de formiga, lingua de tamandúa sempre sera maldita”. Outro dia mesmo, no Mercadorama, um rapaz se inconformou na boca da caixa. O preço de um produto na registradora não batia com o da gondola. Era hora de pico e atrás do tipo tinha um engarrafamento de gente com fome e pressa de ver novela. Veio gerente e rolou bate boca. Cada um passava suas razões pelo caixa. Enquanto isso a fila ordeira ficava cada vez mais perturbada , mal encarada e bufante. E eu, no meu oitavo posto na fila do gado, passei e estudar o inconformado Me parecei universitário, estudante de umas dessas carreiras que não dá muita grana. Tipo Sociologia, Filosofia, Teologia, Taxidermia, etc. Com certeza ele tinha em alguma gaveta um camiseta com Che estampando e outra, vermelha, com estrela do PT. Tsk! Era estudante, e iria aprender que o brilho de estrelas é fugás perto do flash do ouro e do poder . Mas, por hora era jovem, destemido e inconformado. Bateu o pé e fazia queixas e cobrava posturas. Daí que finalmente conseguiu a mercadoria que escolheu pelo preço conforme que queria pagar. Saiu altivo, carregando suas sacolas cheias de vitória. Quase na rua, livre como um taxi, olhou para fila de gente e deu um suspiro de cavalo andaluz e desapareceu pela vida . Não sei se ser inconformado é um insulto. Mas se é para a gente seja vendido, espropriado e xingado, que seja, ao menos, pelo preço certo. Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 08h39
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Invisible BRA Eu tenho um longa e respeitosa idolatria por Sônia Braga. Por sua beleza, por seu talento de atriz, seu fogo. O que vocês nem desconfiam é que na adolescência a latina, deslumbrante e abundada Sônia era a outra no casamento da minha imaginação com minha mão. A oficial era a Lídia Brondi. Eu via novela para comer a Sônia, mas casar com a Lídia. A Lídia era a filha boazinha do sinhozinho malvado. A Sônia Grabiela era a erupção de desejo do bar Vesúvio. A Lídia eu namorava no portão, a Sônia eu fumava escondido. Uma eu levava para assistir Lagoa Azul no cine Vila Rica. A outra eu espremia no Drive-in Chaparral. Uma era propaganda da Gelato, outra tapume de cinema sempre lotado. As duas eu levava para o chuveiro. E, tolamente, as duas eu procurava juntas pelas ruas. Vinho e milk-shake num mesmo cálice. Tolice! Idealizar mulheres, formatar condutas, cuspir puta, beijar santa. Um sonho adolescente que não tem idade. Dia desses cruzei com as duas, Sônia e Lídia, lado a lado. Estavam em destaque atrás do caixa do Sebo nas Canelas. Capas de Playboy as duas. Embrulhadas em plástico riscado, protegidas do folhear curioso, mais caras que um Neruda quase usado. Fiquei tentado. Sônia mulher de corpete preto e cabelo desgranhado. Lídia colegial de shortinho dourado. Penduradas no auge da fama. Grudadas com durex em mim adolescente... Fiquei tentado a voltar no tempo. Relembrar em páginas amareladas, os contornos de minha juventude. Reviver noites com a Sônia na Papagaio Disco Club e passeios de patins com Lídia no Roxy Roller. Namoradas que nunca tive, estátuas de mármore que nunca abandonei. Somei o custo da viagem: R$ 65,00. Sendo R$ 35,00 pela Lídia. Afinal, moça de família vale mais. Pensei no supermercado que ainda tinha de fazer. Achei que R$ 65,00 compravam muito Quik, Trakinas, Power Rangers de açúcar e deixei as revistas e lembranças embrulhadas no plástico riscado. Com R$ 14,50 paguei o Neruda e ainda carreguei uma Bravo amassada. Na loja ao lado, o locutor entediado anunciava "Invisible BRA", o sutiã sthealt. Enquanto cruzava a rua fora da faixa, pensei que sutiã invisível mesmo é aquele que mantém os peitos da primeira namorada seguros da realidade. eduardo visinoni
Escrito por Johnny Pinguela às 10h37
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