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Johnny Pinguela
 





  O chapéu único.

Cada vez que eu entro na C&A as roupas me impurram mais e mais para o fundo.No fundo, mais preto, marron e pastel, é  onde ficam os modelos para quem não quer se fantasiar de funcionário da MTV. Entretanto, hoje no almoço, um artigo me segurou na parte de frente da loja.

Era um chapéu.

A moçada da hora está usando esse chapéu tipo Panamá "redux" porque viu alguém numa passarela ou propaganda usar, achou novo, inusial, moderninho. Mal sabem que o modelo tem mais de 60 anos. Nat King Cole, o Key West dos anos 50, usava esse chapéu malandro e eu quero usar para roubar um tanto de seu charme e resfrescar a cabeça no verão.

O caso é que após ver que o preço me servia ( R$ 39,00), ao olhar o tamanho da peça uma lingueta me informou que ele era do tamanho "UNICO".
Sabem, tem dente de coelho nisso de tamanho "UNICO". Como assim tamanho "UNICO"? "UNICO" para quem? Não para mim, para meus anceios panamenhos, para meus sonhos Nat King Coles e  muito menos pro descomunal cabeção.  Dai já viu.

Ao calçar o tal Panamá
o tamanho "UNICO" não coube. E não podia ser diferente. Porque eu sou um cabeçudo ( número 59 ) e porque tamanho "UNICO" é na verdade  o selo da ditadura da média.

Amigos, já vivemos a ditadura do proletáriado, a ditadura do militáriado e agora vivemos sobre a bota Carmim da ditadura do mediano. É a média que empurra o pendulo para centro
e Jesus para Judas. É a média que pinta a morrenas de loiras e os carros de prata. A média faz Menu ter número, criança ter nome de estrela de novela e começarem frase com "Então". Dai, fora da média tudo é ruim, longe, disléxico e sem cabimento. Assim, a moça de vermelho na facu vira puta , o corpo um campo de batalha e eu um cara sem cabimento.

Na minha infância eu era ruivo, sardento, cabeçudo e fora da média. Vivia a ler, ouvir Nat King Cole e pensar em  coisas únicas na vida como o sabor de jabuticaba no verão, pipa no céu, crinas morenas ao vento. Dai, cresci um tanto, o ruivo escureceu e o tamanho único ainda não me cabe. Por isso o chapéu ficou no seu escaninho padrão e eu cai na rua do centro velho de Curitiba sem um Panana para me aliviar do verão.

Vendo vitrines da moda, cassarões pixados e gente escorrada em bobagens para se situar pensei comigo que se tem um chapéu único  nesta vida é aquele que calçamos por dentro.




Escrito por Johnny Pinguela às 16h53
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E a vida, continua? ( por um ano sem Raquel Maria)

 

Uma das coisas que leva a humanidade para frente a capacidade de continuar. O amor se acaba e gente segue. O emprego é perdido e a gente segue na luta. O time cai e a gente segue na torcida. Em toda reportagem sobre enchente, sempre tem uma pessoa ensopada com olhos fixos no horizonte a dizer “é...a vida continua”. Mas existem momentos que essa capacidade de ir adiante vira defeito. Há dois dias, a menina Raquel Maria foi encontrada morta dentro de um mala na rodoviária de Curitiba, e vida continua na cidade. Uma criança de nove anos na volta da escola foi sequestrada, violada, assassinada e abandonada numa mala. E continuamos todos nós com nossa vidinha. Intimamente, até sentimos um horror retido, um leve pesar, daí damos graça por não ser nossa filha e continuamos com nossa rotina. Essa capacidade de assimilar o horror é tão assustadora como um menina morta em um mala. Ao continuarmos levando a vidinha cotidianamente, matamos a tal da indignação, qualidade essa que nos leva para cima. Ano passado um torcedor italiano de futebol morreu a caminho do estádio e toda a rodada italiana foi cancelada. Por aqui, na noite de Natal, dois operários morreram eletrocutados numa rave e a festa seguiu na maior vibe positiva. A capacidade de assimilarmos o horror anaboliza o horror. “Pelo menos a mala era grande e a menina não foi esquartejada” dirá alguém. Se Raquel fosse nossa filha, neta, irmã ou amiga, a vida parava. Então, por levarmos sorte desta vez, vamos a adiante que atrás vem gente? Não sei como tem passageiro indo aquela rodoviária em busca de um destino outro que meditar a dor por essa perda. Se fossemos civilizados, como pensamos ser, os ônibus deviam parar de chegar e sair do terminal. Os carros deviam parar e rodar, os garçons de circular, os aviões de decolar, os jornais de roubar fotos da menina do Orkut e de escrever coisas tolas sobre os dela pais. Não haveria mais aula de cidadania em escolas, nem madames indo a shopping ou outros viciados se aplicando. Não tinha televisão abutre de carniça, nem propaganda de refrigerante vendendo zoeria, nem prostíbulos de pernas abertas. Nenhum polícia enrolaria, nenhum político escorregaria, nenhum ladrão roubaria, nenhum banco pediria empréstimo, nem bolsa alguma teria valor . Ninguém gastaria tempo com decoração de Natal bem como com votos de um feliz ano novo. Uma criança morreu! Uma semente foi pisada! E não haveria ano novo até que a gente compreenda que Raquel Maria somos nós. Todos nós! Sua perda é a perda de todos que a conheceriam em vida e todos que viveriam depois dela ter vivido plenamente. Também, nosso silêncio paralizado coletivo, diria a todos o demônios desse e de outro mundos que isso era intolerável, impraticável e não ficaria sem punição. Ou, melhor ainda, es-que-ci-men-to. Assim, talvez, com uma pontinha de luz no peito, poderemos todos nós erguer a cabeça, suspirar longamente. eE, enfim, dizer a frase de quem nada tem além de seguir em adiante.

 

Johnny Pinguela. Novembro de 2008



Escrito por Johnny Pinguela às 09h44
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Elejamos Judas, então. 
Ela vence. Inocenta, alivia, promove, elege e reelege. Vende bem, paga mensalão e até compra o 
amor verdadeiro. Coloca a culpa em inocente e traz a qualidade do distraído para perto. Engana
o cego e encanta o surdo. Remunera, faz propaganda premiada, corre o mundo, faz presidente
bonzão. E dizem que ela tem pernas curtas. Que nada, a mentira é que faz o mundo rodar.
A verdade? Verdade mal paga a viagem de pé. Mentir rende carreiras, convites, liberdade, cara 
limpa, grana, horizontes. E verdade rende o quê? O olhar altivo do derrotada na fila do antidoping.
Mentirosos são gente bem quista, afamada, poderosa, intocável. Gente que fala verdade morre 
seca de desgosto. Pode ser câncer, aids, droga, divórcio, fome, mas isso é sintoma. Por traz de tudo
vem a idéia de jerico de querer levar a vida na verdade. Engula a língua quem fala mal da mentira!!!
Engula!!! Mentir limpa, corrige, dá vantagem e empurra a humanidade pra frente. Verdade, quando
 empurra, é para o bar esquina e para a escadaria do esquecimento.
Pra que cumprir a promessa de campanha de eleição se o povo pede milagres a Santo Expedito? 
Por que não elogiar a gravata feia do chefe se é do chefe? Pra que correr uma maratona se pode
tirar a foto na linha de chegada? Por quê? Pela vergonha na cara! Medo do tribunal! Ética
profissional! Ou porque Deus vendo! Deus é o pingo d’água na cabeça de quem entra no
fim da fila, não de quem fura lá dentro do salão. Dizem que mentira é coisa de fraco.
Calúnia! Difamação! Perseguição política! Inveja pura! Pra mentir é preciso coragem,
discernimento, técnica. Verdade você diz e foi. “A impressão digital na arma é minha!”
Mentira é preciso pensar, sustentar, decorar, dormir e recitar. “A arma era do meu primo,
eu estava levando para consertar e esqueci de colocar luva... Bela gravata, delegado.”
É, amigos, mentira leva tempo e dá trabalho. Judas teve que ser muito bom para sear com o Senhor.
Mentira é coira para gente batalhadora e talentosa.
Por isso, quem fura a fila do show merece o silencioso respeito e admiração da fila.
Meu conterrâneo Solda, que é cartunista de mão cheia e bolso vazio, diz:
"Meu pai me ensinou a ser honesto, por isso devo a ele tudo que NÃO tenho".
Grande verdade, Solda! Grande verdade! Mas que devia ser mentira, devia.
 


Escrito por Johnny Pinguela às 15h13
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O dedo de Deus é amarelo?

 

 

Na hora do almoço sou apresentado João Dias de Lima. Seu rosto e nome abreviado aparecem em letras grandes na tela da TV-LCD. JDL tem 19 anos e foi preso por tráfico. Até aí nada de mais.  Em todo programa de polícia na hora almoço o prato fixo é um traficante pobre sendo preso. Não entendo bem porque todo traficante preso em programa da hora do almoço é sempre favelado, cabeludo, desdentado e veste camisa do Raul Seixas. Será que tráfico não é bom negócio?

 

Seja como for, JDL não é um traficante normal. Seu crime foi plantar UM ( 01 ) pé de maconha num matagal e depois contar vantagem disso para os amigos. Daí para a informação chegar num desafeto e dele para o 190 fui uma tragada.   Maconha é crime e a polícia fez bem em prender  JDL.   Mas os oficiais da lei não fizeram o serviço completo. Deixaram o resto da  quadrilha escapar.

 

Sim, porque o sol como olheiro celeste deu cobertura para jogada. Na raiz do crime, o solo deu suporte e nutriu a maldade. Enquanto a chuva regularmente levava  goró para o mocó.  E mesmo a  sementinha, com uma pinta de inocente, podia ter escolhido ser florzinha mas seguiu o rumo da maconha no matagal. Tão todos mancomunados. Por que só deu cana para o JDL que apenas meteu o dedo no chão? Ao contrário de JDL, os demais elementos graúdos da quadrilha  tem antecedentes. Estão envolvidos em plantios bem maiores e muito mais rentáveis espalhadas por esse Brasil de meu Deus.

 

Falando nisso, Deus deve ser o chefão por trás disso tido. Afinal, ele não fez tudo, sabe tudo e controla tudo?   Deus é pai, certo. Mas, como Don Corleone, seria padrinho? Alguém dirá que maconha é a erva do diabo. Pode ser. Então, porque invés da chuva, não cai um raio em cima do muda de satã? Ou o solo não cospe a semente tal qual caroço de azeitona em boca de Português?

 

Na real, podem falar e debater, mas não consigo entender como plantar uma semente seja crime. Semente é  como o átomo. Com a energia do átomo você pode iluminar uma cidade ou pulverizá-la. Construir uma nave para estrelas ou encobri-las com fumaça. Dependendo da pegada, mesmo uma Rosa branca pode rasgar seu pulso.Os selvagens sabiam disso. Mas o homem civilizado em sua sabedoria diz que JLD é um criminoso e ponto final. Vai tocar piano na delegacia e dormir em pé enquanto os cabeças estão soltos por ai. Pago meu almoço, saio . Um Space Fox da Volks passa com 4 pranchas de surf na capota. É sexta e faz sol. Dou  alguns passos e sinto perfume de rosas no ar.

 

Johnny Pinguela.

http://br.youtube.com/watch?v=d2u8TAedFDA&feature=related

 



Escrito por Johnny Pinguela às 10h07
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“O primeiro a abraçar o campeão!!!”


Essa frase genial, no final da Grande Prêmio Brasil de 2009, é do Galvão Bueno . Foi o jeito que o gavião arrumou para juntar “Rubinho Barrichelo “ e “primeiro” numa mesma sentença.

Há 15 anos a Globo tenta colocar Rubinho em primeiro. Como via de regra o "as" quebra, bate ou chega de segundo pra trás,  Rubinho agora paga de campeão do "Fair-play", companheirão, bom moço, paizão, filho, etc. Tudo menos campeão real.

Dizem aqui  do lado que, se tenho  raiva dessa imagem malhada, a culpa é da Globo e não do piloto em si.  Concordo com a parte da emissora interesseira mas não com a inocência do “prodígio” .  O fato, amigos, é que Rubinho é conivente com tudo isso. Já que para confirmar uma mentira precisa-se de um cúmplice. Rubens tem negócios com a Globo e ganha muita grana com essa cortina de fumaça dele ser a promessa, a surpressa, o cara que chega. 

Já imaginaram se Rubinho fosse jogador de futebol? Romário (no lugar de Senna) morria num acidente em 1994 e menino promissor era guindado a posição de super craque. Todo ano lá vinha Galvão com  o papo de ser o ano do Rubinho e ele naufragando no mar, perdendo gol feito, torcendo o pézinho,  choramingando da arbritagem. Quanto duraria esse máscara sem capacete em cima?

Me dizem que Rubinho, por ter uma fortuna,  não é burro, nem loser, nem chorão.  Ok! Se o dinheiro compra até o amor verdadeiro, olho no olho,  o que dira de um simpatia de soslaio? Mas se fez fortuna, Rubens tem também uma dívida de 15 anos com o Brasil.


Deve os tubos por arregimentar nossa esperança de vitória sabendo que isso é quase involuntário, espasmódico, anedótico. Deve por vandalizar um patrimônio construído por Fittipaldi, Piquet e Senna e fazer muita gente ( como eu ) deixar de gostar de corrida.Na verdade, além da riqueza, da simpatia, do bom mocismo ou da falada coragem , Rubinho é um bom de um paga-lanche. Tá na cara! Não tem "Eye de tiger" e não tem um Apolo doltrinador para ensinar a ter.

Assim, ele está para o circo da F1 da mesma forma que Dedé Santana está para Os Trabalhões. Quem pode difamar Dedé? Me diga, quem? Didi é gênio, Mussun bom pra caralho, Zaca viado e Dedé ? Bem , Dedé é escada.   Rubinho é uma escada aerodinâmica de alto desempenho, um trampolim de fibra de carbono para outros alcançarem glórias, foi papagaio de pirata de alemão e agora é boneca bate palminha do Jason Button. Prova disso é que de bom grado, no dia de sua  derrota em casa, no quintal da vovó Donalda, Rubinho gentilmente cedeu,  como cedeu tantas posições, seu jato particular para  novo campeão voar daqui com a taça na mão. 

Se fosse mais próximo do coragem que a Globo propaga, seria ao menos um mal perdedor, bêbado, brigão e desesperado. Mas  isso podia lhe custar contratos, acordos e convites para o Especial do Roberto Carlos. Então, o jeito é rir bobão e aplaudir quem tem menos emissora por trás e mais ganas de vencer.

Por fim, duas coisas me ficaram desta temporada 2009: a mola na tempora do Felippe Massa e o sorvete na testa no primeiro a abraçar o campeão. 
Felipe Massa, ao menos, o ano que vem pode se recuperar.

 

jp. outubro de 2010



Escrito por Johnny Pinguela às 04h09
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40 dias para 40 anos.

A área em torno do terminal de Guadalupe é mal vista pela gente que vive em volta shopping e colunas sociais. Por isso é bem quista por mim. Não sei porque disso, deu gostar do que desgostam. Acho que talvez seja eu um cara que gosta de olhar para a outra margem da moda. O fato é que, como um cão em busca de osso enterrado, eu sempre fuço pela bandas do Guadalupe. Outro dia, dei sorte. 

Um brexó com os dias contatos fazia uma liquidação. Não como essas liquidação de shopping que nada mais são que vender as mercadorias ao preço justo. Liquidação total, daquelas que você sente que está a roubar as compras. Com calça a dois reais e casaco a cinco, o brexó tava praticamente dando as peças. Assim, com uns trocados amassados, enchi a sacola com roupas fora de moda e por isso mesmo "pret a porte" para virar vanguarda.

Sabem, o tempo de janela me insinou qye moda é bumerangue. Tudo está a meio caminho da capa de revista ou do fundo da gaveta. Assim comprei um calça do começo dos anos 90 para meu amor. Se você é muito novo ou muito velho para lembrar das calça dos anos 90, eu desenho. Elas tinham um cintura super alta, acima do umbigo, eram mais soltas no quadril e apertadas na pernas. Assim murchavam o pneu e escamoteavam a barriguinha, torneavam o pandeiro e alongavam as pernas e faziam as mulheres mais felizes, satisfeitas consigo mesmas. 

Já hoje, com estilista gay desenhando roupa para modelo anoréxica ser aplaudida por imprensa vesga, está cada dia mais difícil ser gostosa. Não bastasse isso, comparada com o jeans de outrora, descubro o jeans  não é mais jeans. O jeans real é grosso, aspero e duro . E num mundo da moda, os estilistas querem isso dentro das calças e não nelas. Assim a cintura escorregou, pandeiro virou tamborim, as coxas parecem braço e jeans afinou, amaciou e agora é um paninho azul que caí bem apenas nas marombadas, nas esfomeadas e nas loucas. Coisa que meu amor não  tem tempo, nem estômago e nem insanidade de ser.

Sabem, em 40 dias meu amor faz 40 anos. Tem um filho crescendo, um trabalho pesado e um amor pra chamar de seu. Meu amor, não pode voltar aos anos livres, leves e soltos dos 90. Mas pelo menos agora pode ter a calça que lhe cai perfeitamente bem por fora e por dentro. Se não podemos mudar o modelo que o mundo me impõe, dá para manter o tesão pelo amor que encontramos na mundo.  




Escrito por Johnny Pinguela às 10h56
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Amigos, ajundem eu levar meu filho Francisco para a Disney. 
Minha frase foi selecionada para fase final do um concurso do Ponto Frio.
Agora, os internautas escolhem a melhor.
Por favor, acessem o link abaixo e cliquem nas estrelinhas embaixo da minha frase.
Bjs a todos. JP



Este é o link para minha frase:


http://diadascriancaspontofrio.com.br/filmes-194/





Escrito por Johnny Pinguela às 09h43
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O Galho Guerreiro.

 

Entre a Igreja do Couto Pereira e o Estádio do Perpétuo Socorro, ele se ergue como um Cristo renascido. Ou , dependendo de que lado da rua você torce: um time retornado da segundona.

Devia ter vergado, rebaixado,  murchado, morrido. Mas não. Alí está o colosso para quem quiser olhar. Verde, punjante altivo e plantado na cobertura de uma parada de ônibus. Na pressa da manhã ele me pára e eu embarco no seu mistério. Como pode um galho pode viver sem árvore, raiz ou terra? 

Que eu saiba, teto de zinco só foi fértil para o compositor Cartola. Raízes não vingam em aço. Galho não vive sem tronco. Vida não existe sem fé. Por isso talvez, alí está ele, pelejando pela vida como São jorge pela boa causa: o Galho Guerreiro.

Paulo Coelho diz que Deus nos fala através de sinais. Eu não acredito muito em quem apareça em capa de Caras, mas acredito em Deus. Ver um galho morto sobrevivendo me dá um tipo de sombra branca e boa. 

Sabem, há tempos eu perdi o trabalho que me dava sustento. Mais que isso, me dava sentido. Eu era então um galho promissor de uma grande árvore. Escrevia, tinha idéias e preenchia folhas e mais folhas com elas. Um dia um vento traiçoeiro soprou e eu voei. Busquei por um canteiro novo para me enraizar mas às vezes os corações podem ser áridos como paralelepípedos e só limo cresce por entre as frestas. Assim fui condenado a vagar como arbusto em filme de cidade fantasma. Girei por São Paulo, rodei por Floripa, fui fundo do poço e voltei para o Alto da Glória. 

Como o galho verde, sigo vivo sobre o zinco quente. Como um cruzado desterrado , sigo sem chão. Como Ronin, sigo sem paz. Como São Jorge, sigo na luta. Com raízes incertas, apenas a fé me nutri e os sinais me mantem em pé.   Talvez eu cresça e faça uma sobra branca e boa. Ou talvez, não. De certo, por hoje, só por agora,  o galho guerreiro me alavanca para amanhã. 

johnny pinguela. setembro 2009


Escrito por Johnny Pinguela às 10h10
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Somos todos Cariocas.

 

Se ser brasileiro é uma classe em recuperação, o carioca senta no fundão, chega atrasado mas quando abre a boca todo mundo olham,  ri e dança. A mulheres gostam do seu jeito despojado, dragão tatuado no braço, coração de eterno flerte. E os homens, acham o mesmo das primas deles.

 

Porém, alguns atributos do carioca pagam por defeito em outros estados, países. Malandragem não é invensão de carioca porem quem registrou a patente foi ele. Mas com aquelas montanhas, aquele mar e aquelas mulheres,  quem não inventaria um jeito de não ir ralar?


Agora, que o Rio quer ser sede de olimpíada dizem que não vai rolar . Dizem que tem cidade melhor preparada, com gente  mais ordeira e determinada , senão casta. Falam que Tóquio é limpa e segura e o Rio uma chiqueiro perfurado de bala perdida. Comparam a certeza de Madri com a aposta que é o Rio. Que Chigaco tem Obama e a grana. Por isso, não pode.  Bah!


“Yes, we can!”. O Rio, como próprio Obama, por ser  diferente é a melhor opção. Por que?  Porque e esporte é preparação, surpressa e superação. E o Rio em sete anos, pode ser limpo, verde, planejado, despoluído e tão seguro como uma Curitiba. Ok! Eu fui assaltado outro dia no centro de Curitiba. Mas podia ser assaltado igual em, Chicago, comprar cocaina em Madri e ser enganado em Tóquio.

 

E de mais a mais,  esse troço de Olimpíadas, é coisa de grego. Povo que adora o sol, o mar, a devassidão da carne e as tragédias gregas.  Coisa que o Rio tem de sobra. Então, vamos parar com esse papo de que Tóquio é limpinha. Isso aqui é eleição de diarista por acaso?  Tóquio, perto do rio, é sushi de isopor. Chicago, por sua vez, é fria, sem mar e tem tanta favela como que o Rio só que nenhum samba de roda. E Madri ? Bom, Madri é legal, mas tem o defeito de estar cheia de espanhol que nada mais é um Argentino que acha mais que Argentino. Então, Rio é Brasil. Brasil é América Latina e , hoje, do México para baixo somos todos cariocas.  Fui-me.



Escrito por Johnny Pinguela às 10h22
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O inconformado.

 

Outro dia um sujeito me chamou de “inconformado”. Não sei ao certo o que ele queria dizer . Pessoalmente me vejo com um lenhador de paladras, que a golpes de teclas, vai devastando o branco da página. Mas acho que tenho caracteristicas de inconformado. E ai minha questão: ser inconformado é defeito? Dá pra colocar incoformismo no Curriculum Vitae? Ganhar mulher mostrando revolta? Ou é vergonha ser não se conformar com sentido do rio?

 

Vejamos: o inconformismo na essência é um tipo de combustível para mudança. Aquele macaco que desceu da árvore e andou em pé era inconformado com sua condição de quadrupede. Por sua vez, Santos Dumont olhava o céu e não se conformava em ver todo aquele azul só para o gavião. Sem inconformismo futebol acabava com dois a zero. Todo jogo que é virado, assim como toda situação adversa, é vencido com suor, com raça e com inconformismo no bico da chuteira. Então me parece que inconformismo é uma coisa boa. Até porque, Jesus Cristo era um inconformado. Do contrário seguia fazendo mesa e cadeira na modorrenta Belém e dizendo amém para filisteu.

 

Por outro lado, hoje em dia, com tanta fila, lei e ordem, inconformados não são lá bem vindos. Na verdade são tratados como como alguém que peida em um elevador lotado. “ Pombas! Além de pagar condomínio alto, parar em todo andar, agora temos que tolerar o fedor que esse inconformado exala. É como diz Edir Macete “ Em terra de formiga, lingua de tamandúa sempre sera maldita”.

 

Outro dia mesmo, no Mercadorama, um rapaz se inconformou na boca da caixa. O preço de um produto na registradora não batia com o da gondola. Era hora de pico e atrás do tipo tinha um engarrafamento de gente com fome e pressa de ver novela. Veio gerente e rolou bate boca. Cada um passava suas razões pelo caixa. Enquanto isso a fila ordeira ficava cada vez mais perturbada , mal encarada e bufante. E eu, no meu oitavo posto na fila do gado, passei e estudar o inconformado

 

Me parecei universitário, estudante de umas dessas carreiras que não dá muita grana. Tipo Sociologia, Filosofia, Teologia, Taxidermia, etc. Com certeza ele tinha em alguma gaveta um camiseta com Che estampando e outra, vermelha, com estrela do PT. Tsk! Era estudante, e iria aprender que o brilho de estrelas é fugás perto do flash do ouro e do poder . Mas, por hora era jovem, destemido e inconformado. Bateu o pé e fazia queixas e cobrava posturas. Daí que finalmente conseguiu a mercadoria que escolheu pelo preço conforme que queria pagar. Saiu altivo, carregando suas sacolas cheias de vitória. Quase na rua, livre como um taxi, olhou para fila de gente e deu um suspiro de cavalo andaluz e desapareceu pela vida .

 

Não sei se ser inconformado é um insulto. Mas se é para a gente seja vendido, espropriado e xingado, que seja, ao menos, pelo preço certo.

 

 

 

Johnny Pinguela.



Escrito por Johnny Pinguela às 08h39
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Invisible BRA

Eu tenho um longa e respeitosa idolatria por Sônia Braga. Por sua beleza, por seu talento de atriz, seu fogo. O que vocês nem desconfiam é que na adolescência a latina, deslumbrante e abundada Sônia era a outra no casamento da minha imaginação com minha mão.

A oficial era a Lídia Brondi. Eu via novela para comer a Sônia, mas casar com a Lídia. A Lídia era a filha boazinha do sinhozinho malvado. A Sônia Grabiela era a erupção de desejo do bar Vesúvio. A Lídia eu namorava no portão, a Sônia eu fumava escondido.

Uma eu levava para assistir Lagoa Azul no cine Vila Rica. A outra eu espremia no Drive-in Chaparral. Uma era propaganda da Gelato, outra tapume de cinema sempre lotado. As duas eu levava para o chuveiro. E, tolamente, as duas eu procurava juntas pelas ruas. Vinho e milk-shake num mesmo cálice. Tolice! Idealizar mulheres, formatar condutas, cuspir puta, beijar santa. Um sonho adolescente que não tem idade.

Dia desses cruzei com as duas, Sônia e Lídia, lado a lado. Estavam em destaque atrás do caixa do Sebo nas Canelas. Capas de Playboy as duas. Embrulhadas em plástico riscado, protegidas do folhear curioso, mais caras que um Neruda quase usado. Fiquei tentado. Sônia mulher de corpete preto e cabelo desgranhado. Lídia colegial de shortinho dourado. Penduradas no auge da fama. Grudadas com durex em mim adolescente... Fiquei tentado a voltar no tempo. Relembrar em páginas amareladas, os contornos de minha juventude. Reviver noites com a Sônia na Papagaio Disco Club e passeios de patins com Lídia no Roxy Roller. Namoradas que nunca tive, estátuas de mármore que nunca abandonei. Somei o custo da viagem: R$ 65,00. Sendo R$ 35,00 pela Lídia. Afinal, moça de família vale mais.

Pensei no supermercado que ainda tinha de fazer. Achei que R$ 65,00 compravam muito Quik, Trakinas, Power Rangers de açúcar e deixei as revistas e lembranças embrulhadas no plástico riscado. Com R$ 14,50 paguei o Neruda e ainda carreguei uma Bravo amassada.

Na loja ao lado, o locutor entediado anunciava "Invisible BRA", o sutiã sthealt. Enquanto cruzava a rua fora da faixa, pensei que sutiã invisível mesmo é aquele que mantém os peitos da primeira namorada seguros da realidade.

 

eduardo visinoni



Escrito por Johnny Pinguela às 10h37
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O melhor dos dias. O pior dos dias. 

É um fenômeno ainda há ser estudado. Mas já repararam como rola umas cagadas em com rescém-casados? Conheci um cara que pegou rubêola na noite de nupcias; outro que teve que operar as costas; outro perdeu avião; Um estraviou malas, noutra esposa antiga aparece, nego broxa na hora H e por assim vai. Acho que é na descompressão da cerimônia, na inveja de alguém ou no azar, o imprevisto abre uma breja e estraga a festa. O fato é que a cagada rola. E no meu casamento não foi diferente. Apenas a minha cagada foi descomunal como godzilla entrando na festa.

Aconteceu no primeiro dia da lua de mel. Eu abri a janela do meu quarto e cidade mais linda do mundo se discortinou diante de meus olhos encantados. Era Paris. Tomei um café de rei num hotel que outrora fora um palácio e eu minha rainha corremos cara o metrô como crianças correm para o carrossel. Para começar nossa giro com classe, fomos até a avenida mais linda do mundo: Champs Elysees . Subindo a avenida, vi tanta coisa bonita. Gente feliz, coisas fascinantes, tanta beleza e história. No meio da subida vi uma estátua do General De Gaulle e lembrei que ele desceu por alí no dia liberação de Paris. Mais acima, o Arco do Triunfo me lembrou que nazistas, por sua vez, haviam marcho vitoriosos por ali. Seguindo no passeio do carrossel, fomos a até a Torre Eiffel. No caminho cruzei com um grupo modelos que pareciam ninfas, Ferraris vistosas e gente elegante. A vida era bela. Nos Jardins do Trocadero fizemos um lanchinho de sanduba com soda limonada, mas a vista fez virar banquete. A torre de ferro subindo aos céus me lembrou as palmas de nossa mão juntas num tipo de prece por um mundo melhor. Ao fim do almoço, me lembrei de um filme velho que mostrava Hitler bem alí onde eu estava agora com meu amor. Hitler não consquistou a torre pois o elevadores haviam sido sabotados. Eu sim! Bigodinho cuzão. Peguei a minha conquista pela mão e cruzamos o Sena, no caminho vi diversos gatos e pensei em mal agouro.
No pé da torre tinha uma fila tipo serpente. Mas tudo bem. O espetáculo de ver tantas culturas e povos diferentes lado-a-lado me fez pensar como somos diferentes, e ao mesmo tempo, tão iguais. O que nos difere, nos une. Pensei que Deus prefere a salada de frutas a mixirica engomadinha. Em seguida, subimos todos aos céus.

Lá do alto, nenhuma foto ou filme nos preparava para o espetáculo. Era o céu e eu tinha um anjo ao meu lado. Queria ficar lá para sempre, mas o jardins e monumentos com teto de ouro nos convidavam a mais encantos. Descemos e passeamos pelo Campo de Marte onde Santos Domunt fez história. Na frente da Escola Militar, ainda crivada de balas da segunda guerra, tinha um monumento onde se lia a palavra “paz” grafada em dezenas de linguas. O homen é um menino que caça pardal para depois chorar pelas penas. Adiante fomos ao túmulo de Napoleão, que apesar de ter teto de ouro e colunas de marmore, notei que não tinha nenhuma gaveta pra levar isso embora. Logo atrás, no Hotel dos Invalidos ou vi uniformes negros da SS nazista e pensei que Dark Vader era escoteiro mirim. Por fim, saímos andando ao léu.

No Bolevards des Invalides vi uma igreja semelhante as do Brasil e entrei como se entra em casa de conhecido. A porta estava fechada, mas no momento que fui por a mão na maçaneta, ela se abriu meio por mágica. Um oficial do exército estava saindo e me sorriu como um velho conhecido. Lá dentro, descobri o porque do sorriso. Era a Igreja de São Francisco Xavier! E estava completamente vazia. Na paz, rezei pedindo isso para minha família e pensei em dar nome de Francisco ao meu filho. Na saída, o milagre da porta que se abre junto com sorriso se repetiu para uma madame francesa com o semblante preocupado que desta vez recebeu meu calor franciscano. Cansados como peregrinos de Santiago, pegamos e o metrô e notei de canto de olho alguma aglomeração diante de televisores. Achei que era perda de tempo pois não havia programa melhor que assistir Paris. Já no hotel, tiramos um cochilo, pois a noite prometia. Mal sabia eu, mal sabia eu.



Ao acordar, ainda no fuso horário do Brasil, eu não sabia que horas eram e nem onde estava. Na tv, gente pulava de um edifìcio, pessoas corriam como fantasmas empoirados, aviões atropelavam prédios e duas torres desfaleciam. Eu que havia passado o dia todo vendo maravilhas agora assistia uma delas no avesso. O gênio do homem é bipolar. 

Sem saber o que fazer, chorei. Sem saber onde ir, abracei minha esposa. O mundo parecia ruir com aquelas torres. Dai, pensei em noutras duas, e resolvi ir até Notre Dame. Era madrugada e Paris parecia abandonada. Andando por aquelas vielas medievais pensei em quanto sangue e dor já havia escoado por seus boeiros. Quase chegando a igreja pensei que muita gente estaria lá buscando refugio naquela noite de pavor e espanto. Haveria gente de todos povos e fé rezando pelos mortos e no porvir. Mas chegando, lá não havia ninguém. Nada! Ficamos eu Ivana, diante daquelas torres eternas, como dois vaga-lumes de fé. Na escuridão daquela noite penseu em tanta coisa aqueles santos com espadas na mão não haviam defendido e os gargulas espantado. Haveria muito trabalho pela frente com certeza. Rezamos muito e quase no final, um homem sozinho chegou a praça e também rezou ao nosso lado. De repente, senti que Deus gostava muito de mim. Que nunca havia me deixado só e que me protegia. Tanto que no dia mais horripilante para a humanidade, Deus havia me poupado. Como um pai distrái o filho na dor da perda da mãe, ele havia me mostrado a beleza de Paris*.

Voltamos ao hotel em transe. Antes de deitar a televisão mostrou que um esquadrilha de Mirage 2000 chamada Anjos Dourados iria sobrevoar Paris a noite inteira para evitar qualquer maldade. A cidade luz jamais se apagaria. Com amor ao meu lado, fé em Deus e anjos dourados sobre minha cabeça dormi bem e sonhei com mapas e tesouros.

Esse foi meu 11 de setembro de 2001. O melhor dia de minha vida. A cagada que rolou no meu casamento também rolou pra toda a humanidade.

Passados sete anos, quando a insensatez ataca meu casamento, o desemprego ameaça desmoronar minha casa e o terror anda solta por todas as ruas, eu lembro da noite diante de Notre Dame, durmo tranquilo e sonho com mapa e tesouros.

Johnny Pinguela. 11 de setembro de 2008.

*Mais tarde descobri que exatamente no momento que o WTC desmoronava eu estava no alto do Torre Eiffel.




Escrito por Johnny Pinguela às 10h45
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As lágrimas de Saint Merri.

Em Paris, ao lado do Centro George Pompidou, tem uma
igreja: Saint Merri. Depois do aeroporto e do hotel,
foi o primeiro edifício em que entrei em Paris e a
primeira igreja em que pisei depois de ter me casado
dois dias antes, na zona rural da grande Curitiba.

Talvez por isso, por ainda ter arroz nos cabelos e
estar no altar, Saint Merri me tratou bem e falou
tão alto. A igreja gótica andava meio em baixa. Por fora
suja, pixada, com cheiro de urina na lateral, parecia
igreja brasileira. Mas por dentro era deslumbrante como
um santuário para peregrinos. Para um edifício de
1552, quase a idade do Brasil, Saint Merri me ganhou
pela majestade sem ostentação e força da fé.
Espremida por points turísticos, sex shops e cafés, a
igreja sobreviveu a cinco séculos de guerras, fome,
revoluções e ordas de japoneses com Yashicas flamejantes.

Achei aquilo incrível, uma igreja bisavó das igrejas
do Brasil servindo para moldura de pixadores
infelizes, mijões mal educados e de portas abertas
para peregrinos como eu, minha jovem esposa e metade
de Tóquio.

Ao entrar, me senti acolhido e espantado. Depois de
14 horas viajando pelo ar, aquilo era uma viagem no
tempo. Uma viagem para uma época em que a fé era pão e
libertava o homem mais que qualquer tecnologia
moderna.

Após me ajoelhar e rezar pela alegria de meu casamento
e felicidade geral, Saint Merri me falou de bons e
maus momentos, de batizados e missas de sétimo dia
vindouros. Falou de superação, paciência, resignação,
desespero e fé. Quando me dei conta, lágrimas rolaram
no meu rosto. Soltas, intensas, mas doces. Envergonhado, procurei 
uma maneira de me disfarçar delas, mas não tinha um lenço à mão.
Passado a tsunami de fé e emoção, me recompuz, fiz o
sinal da cruz e fui saindo mais leve do que quando
entrei. Na porta, pensei que, enquanto estivesse em
Paris, precisaria de um lenço. 

Por essas mágicas que fazem a fama da Cidade Luz, tinha 
uma loja de lenços  e afins bem em frente à porta de Saint Merri. 
Com cinco passos, cruzei a ruela medieval e comprei uma echarpe do Nepal
para minha esposa e um lenço laranja e verde para mim.
Na frente da loja, pela primeira vez na vida, coloquei
um lenço na lapela e, para marcar, tirei uma foto dos
apóstolos de pedra guardando a porta de Saint Merri.

Nisso, senti intensamente que eles estavam tristes e as lágrimas
voltaram sem porquê. Usei o lenço pela primeira vez e
partimos para as outras grandes atrações de Paris.
Na manhã seguinte, as torres do WTC vinham
abaixo, junto com lágrimas de toda a humanidade.



Escrito por Johnny Pinguela às 08h27
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O distante amigo brilhante.

 

Ontem fez sol !!! Já, hoje, amanheceu nublado. Ontem, era sábado.

Hoje, um dia antes de segunda-feira. Amanhã, eu não sei o que

vai ser. Hoje, vou escrever.

 

No dia de sol fomos eu e o Francisco andar de skate no Parque

São Lourenço. Já fui a esse parque para correr, namorar, pedalar,

fiz curso de escultura, visitei museu, desci pelo escorregador, dei aulas

no Centro de Criatividade e agora até tenho livros editados lá. O engraçado

é que cada um desses momentos me remete a amigos, a amores, outros parques, 

outras páginas, outro sol.

 

O sol de ontem me segue ardido nas costas de hoje. Gosto disso. Esse sol

que me arde agora tem oito anos. Viajou na velocidade da luz pela escuridão

do espaço vago para fazer-se cheio em meu dia. 

Para mim ele é quente, presente, bronzeador de vida pálida Curitibana. 

Porém, para o sol, lá em cima indiferente, meu ardor é brilho passado.

 

O que será que se passa com o sol nesse exato momento? Por onde anda,

pelo que arde, pelo que escorrega, por quem gira? Só sei que, como  amigos,

amores, histórias, pedais,  o sol roda por aqui agora.

 

Vou até a janela embaseada, olho para cima e,  mesmo no dia nublado, sorrio obrigado 

para o distante amigo brilhante.

 



Escrito por Johnny Pinguela às 11h32
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Apenas mais um 7 de Setembro

O presidente Lula é a maior figura do Dia da Independência. Ele é hoje o que Dom Pedro I foi no 7 de Setembro de 1822. Por isso militares lhe batem continência e colegiais abanam bandeirinhas no palito. Como Pedro I, ser presidente é saber gritar "Não, não vou, fico aqui, nem a pau, vou por esse lado, te pira, vadio". Presidente é ser um cara que enfrenta, muda, idealiza, impõe e faz.

Se eu visse na TV banqueiro reclamando dos rumos da economia, se visse a Globo chiando por ter que apresentar uma programação decente, se eu visse criança de rua sendo abraçada por gente que não é pedófila, se eu lesse na Tribuna do Paraná que o dono do Positivo está reclamando que o ensino público o está levando à falência, bem como a Unimed fodida pelo SUS e a Centronic pela segurança oferecida por polícia e pelo emprego bom, eu até acharia diferente esse 7 de Setembro. Mas do jeito que tá, eu digo que o Lula não sentou na cadeira. Ocupou o cargo, apenas. 

Arrumou base de sustentação, apenas. Deu emprego aos companheiros, apenas. Viajou como FHC, apenas. Deu esmolas a título de bolsas, apenas. Falou, prometeu, apenas. Lula se congratula, apenas, quando deveria digladiar. Ok! Lula tem 82% de aprovação. Mais que Hitler na Alemanha nazista. Então, que nosso líder ponha esses 82% para marchar, se educar, se curar, se descobrir como mais que bucha de canhão, tocar sino da liberdade e acordar esse tal gigante adormitado. 

O Brasil dorme não por sono ou preguiça. Mas por dopping. Lula, como o médico de Jackson, sabe do Propofol mas apenas olha os tubos, os drenos, a magreza dos retirantes e os comas induzidos por Faustão, Telesena, Big Bunda Brasil, juros de agiota legalizado e imposto de morro generalizado. Lula sabe da cura, mas não quer perder o doente. 

Quando passei pela capital federal, fiz questão de visitar dois lugares. Apenas dois. O Memorial do JK e a Catedral de Brasília. Em ambos há estátuas para os homens de poder que não se vergaram ao entorno. JK foi cassado e morreu de forma ainda não esclarecida. JC virou um tipo de ombudsman de brasileiro. Lula, em 2011, vai ser o quê? 

Ser um novo Sarney de barba no lugar do bigode? Ou não. Depois de liberar o Brasil para o capital externo, FHC agora palestra sobre a liberação do THC. Lula podia falar do valor da manguaça. Afinal, estaria, por tabela, ajudando os boias-frias a faturar algum trocados nas usinas moedoras de gente. Mas nada. Já que ano que vem tem eleição, esse será o último 7 de Setembro de Lula como presidente de fato e não de fantoche. Depois de 7 anos do governo dos trabalhadores, esse poderia ser um tremendo de um Dia da Independência do Brasil. Mas será apenas mais um 7 de Setembro.


Johnny Pinguela  



Escrito por Johnny Pinguela às 14h57
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