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O cão preto no caminho da padaria Verdes Mares
No caminho dos doces e sorvetes da padaria Verdes Mares tem um cachorro preto. Meu filho Francisco adora ir à padaria, mas tem medo do cachorro preto. Eu tento demovê-lo. Falo que o cão está preso, que o portão é alto e para não olhar. Nada funciona. Meu filho tem medo do cachorro preto e ponto. Mas quem não tem? Todos temos um cachorro preto do lado de lá do portão. Atualmente, o medo está tão presente em nosso dia como o sol. Temos medo de engordar, de envelhecer, de sair, de parar no farol, de ficar no sol, de sair de férias, de trepar ou não trepar e de deixar de responder e-mails com correntes. Por mais seguro, blindado e verde que seja o seu horizonte, coisas ruins podem latir em cada esquina. Medo ferve calota polar. Medo decola avião. Medo pede resgate. Medo apunhala. Medo coloca gilete no pão nosso. Na televisão tem até canal de medo temático: violência urbana, guerra, terrorismo, fome, gordura, rugas. Está presente, colado no nosso vácuo, uma piscadela e ele chega na gente. Será? Desde a década de 60 o governo americano contabiliza os números de gringos vítimas do terrorismo. Não sei o número total, mas sei que ele é melhor que as vítimas americanas do amendoim. Isto: amendoim. Vez por outra, um fungo raríssimo cresce dentro do amendoim, transformando o singelo tira-gosto em um veneno fatal. Alguém tem cagaço de comer amendoim? Nem senta em botequim? É, amigos, o medo é como tesão de moleque com vizinha: quanto mais olha, mais cresce. Já pensou se no Jornal Nacional anunciassem que hoje 98 milhões de pessoas saíram para trabalhar e voltaram para abraçar seus filhos? Ou que 50 mil torcedores assistiram a um belo e alegre jogo? Ou se nessa noite 180 milhões dormiram atormentados apenas por miados de gatos? Tsk! Tsk! Boa boa nova, assim como baranga na capa de Playboy, não vende, não dá assunto nem punheta. Por isso, dá-lhe bala perdida, carro-bomba, demissão, enchente, aids na escova de cabelo, calote vil, queda para segundona. Como uma caravana de carroças cercadas por apaches ululantes, estamos sendo atacados por flechas incendiárias. Eu até tento desviar, mas cada vez dou mais voltas em minha tetrachave Papaiz. Em seu último sermão de Páscoa, o Papa João Paulo II, que viu guerra, perseguição, dor, fome, 11 de setembro, disse apenas: “Não tenham medo”. Falo o mesmo para o meu filho quando voltamos da padaria. O menino, confiando no pai, olha para o jardim no outro lado da rua e passamos em paz. O cachorro segue preso em barras de ferro, e a humanidade, nas do medo.
Johny Pinguella
Escrito por Johnny Pinguela às 15h52
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Maçãs argentinas carameladas
Tem coisas que não se pode deixar de notar. O sol, o brilho no olhar das crianças, a poesia das flores e os seios das recepcionistas. Confessa! Não dá pra fugir. Você chega atrasado para uma reunião, entrevista ou consulta, ou qualquer coisa com leão de chácara de decote e tá lá o danado. Ou melhor, os. Sim, porque seio bom sempre trabalha em dupla.
Eu, como o Millôr, sou do tempo em que sexo se fazia à mão, sempre faço minha singela reverência. Por um nano segundo desligo meu HD de trabalho e tenho um “blip” sacana, depois volta a rodar o programa “The Sims na crise de meia-idade e saco cheio”.
Aqui na mina de sal onde dou plantão não é diferente. Todo dia eu chego para o labor, e “blip”, estão lá os dois mais a Cidiane. Uma moça pequena, simples e “blip” afortunada por natureza. Digo, silicon free. Até porque precisa ter muito peito e bufunfa pra pôr silicone e a Cidiane tem fins mais nobres para seu dim-dim.
Como recepcionista, Cidiane ganha pouco, por isso economiza tanto nas blusas. Afinal, quanto maior o decote, mais longa a alcinha, menor o preço, imagino eu. Como disse, a Cidi, além de ganhar bem pouquinho, é pequena. Por isso, grande em sua posição. Atrás de sua mesa, elevada pela Giroflex, entre um monitor Samsung e a central telefônica Erickson, ficam Cidi pequena, uma blusinha Marisol e, “blip”, o Big Duo Extra Heavy GG. Que de grandes e bem formados me lembram aquelas maçãs argentinas generosamente expostas no armazém do seu Oscar da minha meninice. Sabe quais? Aquelas carnudas, brilhantes e perfumadas que vinham embrulhadas num veludo azul. Eram a minha tentação na volta do parquinho, até que um dia mamãe se distraiu e meti o bocão. Foi a minha primeira decepção... Sem graça elas... Digo, as maçãs. Porque da dupla “blip-blip” o bocão passou longe, mas deve ser tudo menos sem sabor “bliiipppp”. Ainda mais por esses dias de verão, quando a dupla bronzeada agora parece maçã caramelada... “blup-blup-blup”.
Enfim, entre maçã, Cidiane, as carameladas e “blips”, é melhor parar por aqui. Afinal, a dupla, além de fã clube, parece que tem dono e eu, patrulha. Se me pegam comendo maçã antes da janta vai ser um pau geral no HD.
Johny Pinguella
Escrito por Johnny Pinguela às 16h56
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