O macaco ambicioso
O homem gosta de se aplaudir. Falar de suas conquistas. Pendurar na parede diplomas, recortes, fotos do telescópio Hubble e com celebridades. Diz que faz e que acontece. Foi à Lua, dividiu o átomo, construiu as Torres Gêmeas, enfeitou o rabo do pavão. Se acha, enfim. Mas, para mim, o homem não passa de um macaco ambicioso.
Há 6 milhões de anos um macaco metido à besta desceu de uma árvore e se sentiu como aqueles guris bobos andando de bicicleta. ³Olha, mãe! Sem uma mão! Olha, mãe, sem a outra mão! Olha, mãe... sem dente!”. Aplaudimos a ambição que nos empurra para frente, mas ela está nos levando para a beira do abismo. Nos últimos 50 anos, destruímos o planeta mais que nos últimos 5 mil anos. E nos entitulamos ³Homo sapiens². Sabido é o tatu, o siri, o camarão, não uma espécie que elege George Bush como líder do mundo livre.
Não bastassem esses indícios de sorvete na testa, tiramos onda dos verdadeiros espertos. Os índios, que tentam viver em harmonia com a natureza, sendo filhos do ecossistema e não madrasta, são ³apelidados² por nós de selvagens. Selvagens eles? Não poluem o rio, não queimam a floresta, não pagam IPTU, não assistem ao BBB8 e são selvagens?
É, amigos, o homem é um figurante que se acha celebridade porque chora ao nascer. No parto, os elefantinhos caem de uma altura de dois metros, se levantam e saem andando junto com a mãe, e o homem se acha mais forte ao matar um deles com mira telescópica. Cuzão!
Se o homem quer ser forte, que assista a um parto natural humano. Não na novela ou no cinema, mas na unha. Parto real não é clean, inteligente, moderno. É animal! A fêmea alarga, geme, urra, até que a criança surge do nada envolta em sangue e resto de placenta. Nascer é uma luta, mas ensina nosso lugar, destila ambição revolucionária de ser zelador do zoo. Ver um parto deveria ser matéria obrigatória nas escolas, ministérios e academias de jiu-jitsu.
A ambição do macaco está destruindo a árvore. E tem macaco cientista que diz que a solução é a exploração espacial. Foder a árvore alheia é a saída. Cuzão espacial, aqui vamos nós. Numa ilha-planeta no meio do lago do Passeio Público de Curitiba, vive uma família de macacos-aranha. Sempre que passo por lá os vejo ao sol, no alto da maior árvore. Nunca estão embaixo, no térreo, sempre lá em cima, na cobertura quadriplex. Não sei por que estão sempre lá em cima. Mas meu palpite é que eles não querem estar no mesmo nível dessa macacada que se arrasta em pé.
Escrito por Johnny Pinguela às 16h25
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