A caixa.
Sabem, acho que acabei. Tenho tentado me virar, mudar, engolir o que guspia, me reinventar. Mas minhas reinvenções acabaram sendo só uma novo forma de ouvir "não" . Hoje o vento passa por mim com por uma casa vazia. Quanta coisa havia dentro?Quantos livros, mapas, planos, cata-ventos. Eu ia girar o mundo. Domar leões, inventar saltos, da piruaetas e entregar flores para menina de olhos brilhantes. Agora conto dias pelas caixa de leite que abro pela manhã. Acho que é quinta, (tem um caixa para mim amanhã).
Ao acordar penso em um cascata de boas novas. Mas tem chuvisco de alfinete vodu. No Livro do Segredo dizem que tem que se pensar em boas novas para elas acontecerem. É como um jardim que florece primeiro em nossa cabeça. Não acho graça alguma em duvidar . Por isso planto o bem dentro de mim. Penso em uma mão vindo do nada e me dando um milhão, um abração, um empurrãozinho ou simples “olá” amizade. Penso e retomada. Penso em recarga de energia. Penso em religião.
O que quer Deus de mim ? Na história do renascer da águia, o bicho perde tudo. Bico, guarra, asa, visão. Só fica um saco magro de pena tristes. Mas volta a voar. Onde está minha volta? Onde está minha segunda chance se nem a primera sei ao certo se tive ? Aqui na caixa eu sou um tipo de Deus e os peixes tem a água verde do aquário trocada e as flores são regadas, os móveis mudados de lugar e poeira varrida.
Eu preciso fazer mais que isso. Preciso sair da caixa, existir, criar um filho. Xô, demônio!!!! Depressão é como poeira suspensa no ar que asenta em nós quando deixamos de sonhar. Hoje,me sinto um pouco como um caixa de fósforos que acendeu todos seus palitos. Mas caixas de fósforos não rezam, não sonham e não riscam fósforos dentro da caixa. Certo?
Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 14h44
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