O cerco da bunda Apache.
Como as caravanas do Velho Oeste, estamos cercados por bundas ululantes, incendiárias e selvagens. Por onde andamos vemos bundas. Na banquinha da esquina, a bunda ocupa dois terços das capas de revista. Tem bunda de grife, bunda de heroina de gibi, bunda rescém emagrecida, bunda divorciada, bunda rica, pop, top e fuck. Na TV, a bunda briga pelo Ibope. Na Globo tem a bunda sambista da Juliana Paes. No SBT, a bunda pantaneira da Juma. Na internet, é uma bunda a cada byte. Agora, no celular 3G, numa inversão fantástica, é a bunda que rebola no bolso. Pela ruas, moça que não mostra a bunda não conta. Tem que usar bota salto alto e, calça Sawarin tuna bum-bum pra desfilar bem-bem.
Amigos, meu amigos, é tamanho o cerco que agora nem dá mais para olhar para baixo ou mesmo enfiar a cabeça dentro de um orelhão. As moças de vida fácil de Curitiba espalharam pelas calçadas e orelhões seus santinhos de puta. São sempre iguais os post-tits de cú. Embaixo tem um telefone, em cima um nome “caliente” tipo Rebecca, Morgana, Dafne e, no meio, uma bunda acéfala grande e empinada. Você vai ligar para sua mamãe, é está lá a bunda mudando de assunto.
Pior é que o vento sopra e esses santinhos saêm para passear pelo calçadão. Assim, a bunda da Dafne vai para o Mac. O dá Rebecca vai comprar sapato no Omar. Stefani circula na praça Zacarias. Leslie embarca no coletivo, Sandrinha Furação brinca no parquinho. Como antigamente se colecionava figurinhas de jogador de futebol, a molecada de hoje está colecionando esse escrete de nadegas. È tanta bunda pelo chão que já estou vendo a hora que um vento maroto sopra um santinho desses para dentro da Catedral. Daí vai ter nego rezando para bunda da Espedita. A Virgem Maria que se cuide. Ou melhor, nos salve. Eu sou um cara que gosta de bunda, aprecio e aplaudo. Sou um enôlogo mas não vivo embriagado. Por isso, quando os Apaches me cercam, eu rezo pela calavaria.
Escrito por Johnny Pinguela às 14h03
[]
[envie esta mensagem]

|