A curva aberta.
Eu sou pela curva aberta. A curva ampla, larga, redonda, generosa. Aquela que vai des-cur-ti-nan-do a pai-sa-gem pau-la-ti-na-men-te. En-can-ta-do-ra-men-te. De-li-ca-da-men-te. Curva abertas são como abraços demorados. Vão pegando, apertando, ficando com a gente. Já curva reta não é curva. É quina. E quina a gente não abraça, mas bate, da cabeçada, fica roxo passa Gelol e assopra “xô” . Enquanto isso, curvas abertas são macias, languidas. Lingua de gato sobre sorvete. Cortina na brisa. Sol de primavera na janela que escorre para cima cama de manhã. Acalento, suave escravidão, suavidão. Vidão!!!
Apesar de tanta coisa boa, a curva aberta virou rota errada. Contra-mão. É chato ver a mulherada brigando com suas curvas abertas. Contornos são fundamentais para se fazer uma figura. E uma mulher que passa borracha em suas curvas, quebra sua figura. Não falo aqui em emagrecer, que é um cuidado até normal, mas sim em ir contra sua raiz, etnia, lordose. Nisso são sábias são a italianas que ao invés de disfarçarem o contorno, o delineam. Trens vão longe fazendo curvas generosas, italianas são alegres (e italianos felizardos) sendo generosas com seus quadris, decotes, coxas, narizes e, por decorrência, consigo mesmas.
Isso de mulher reta com coxa que parece braço é tesão para ortopedista que gosta de ver osso. Reta é burra. Reta é tédio. A distância mais rápida entre A e B também é a mais chata. Mulher é colo, berço, coração. E não osso, ponta, arresta. Por isso, mulheres abram suas curvas, sejam generosas com seus decotes, assentos e consigo mesmas e aproveitem o melhor da viagem. Afinal, é nas curvas que eles derrapam e capotam.
johnnypinguela.zip.net
http://www.youtube.com/watch?v=RQVha02bTT8
Escrito por Johnny Pinguela às 16h46
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Sete anos sem Paris.
Li que estão propondo a “internacionalização” da Amazônia. Apesar que “internacionalizar” nada mais é que uma maneira diplomática de dizer“ afanar”, eu topo.
Convenhamos: a Amazônia é tão minha quanto são os jardins das mansões do Batel, as piscinas das coberturas da Barra da Tijuca e a Fazenda Maranhão. Se é para ser roubado, você prefere ser lesado por Sueco ou um Sarney? Mas vou avisando, não vou entregar a Amazônia assim de bandeja. Como os índios quero fazer escambo. Troco 5 quilômetros quadrados de selva por uns 5 metros quadrados de Paris. Um riacho puro por uma fonte cheia de água do Sena. Uma flor exótica por um charme de francesa. Uma cura secreta da selva, por uma magia da cidade luz.
Sabem, da mesma forma que o sol não é de ninguém, Paris não é só do franceses. O sol pertence a quem se dispõe a tomá-lo. E eu tomo Paris. Eu amo Paris. Eu mereço Paris muito mais que muito gente que por lá vive. Em Paris , vejam vocês, tem gente que vê televisão. Como coisa que existe programa melhor que olhar pela janela. Outros acham que para se embriagar é preciso abrir garrafas. Mal sabem, que o grande porre de Paris é abrir portas.
Por lá pouco estive, mas nunca voltei. Sua melodia não me sai da cabeça. Os livros de minha estante se folheiam por lá. Os filmes passam aqui, me projetam para lá. Mesmo os primeiros desenhos de meu filho são pinturas das belezas. Quem disse que essa coisa inefável que é a alma tem que viver trancada aqui no peito? A minha, quando chove, escorre para Paris. Um dia, como todo rio desagua no mar, eu voltarei pra casa .
Johnny Pinguela, setembro 2008.
http://www.youtube.com/watch?v=ddPJ_Nz9A3M&feature=related
Escrito por Johnny Pinguela às 12h02
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