Caso interesse a alguém, é assim que eu pago as contas lá do barraco
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Escrito por Johnny Pinguela às 16h44
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Quando os olhos deixam de brilhar?
Meu filho tem olhos grandes e brilhantes como azeitona chilena. Olhos que tudo podem, tudo vivem, tudo de ruim trespassam. Meu filho não vê as porteiras do mundo. Todo dia é um corrida por um descampado. Um eterno rocambole de elegria enrolado em doçura. Olho meu filho, olha a rua, olho o espelho e a pergunta me vem: quando será que os olhos deixam de brilhar?
Pode ser num amor malogrado, num sonho naufragado, na cara batida na porta do vida. Mas qual será o momento exato que que o brilho começa a virar sepia? Tenho um palpite. Talvez o brilho comeca a esmaecer quando deixamos de viver nossa vida e passamos a viver vida alheia. Muita gente que conhecemos na verdade são outra pessoa. Seus pensamentos, opiniões, penteados e posturas são de outrem. São como marionetes manipulados por fios invissiveis. Por isso, como bonecos de pau, o brilho de seu olhar é de verniz e não de gente realmente feliz.
O que tem de gente por ai que empresta uma personalidade de alguém e não devolve. Vivem as vidas alheias mais que as próprias. Deve ser por isso que aquelas revistas de personalidades vendem tanto. Na verdade são um catálago de parceiros, roupas, atitudades, abadomes e causas que pega bem ter. Personalidades dessas revistas tem olhos sempre brilhantes. Pensamos que seja por causa de olhar o mundo com olhos de criança, ou por ter vida voltada para estrelas mas acho que se não é alguma substancia no sangue é apenas o brilho do flash refletido na lente de contato colorida.
Minha prima Renata tinha o que podemos chamar de uma personalidade. Repito: tinha. Não alugou ou emprestou seu jeito. Renata vivia de uma maneira só sua, com roupas, móveis e flores artesanais que ela mesma fazia. Tinha atitudes unicas, comia o que não devia, bebia o que dão podia, fumava o que era proibido e andava com gente de alma ruim mas sempre manteve os olhos brilhantes.
Há sete anos os olhos de minha prima pararam de brilhar. Disseram que seu fim se deu por ser diferente, louca, desvairada mas na verdade foi de erro médico. Passados setes anos ninguém mais fala ou lembra de minha prima. Ela não era modelo de ninguém nem nunca esteve em capa de revista. Mas, em noite sem lua, quando miro as estrelas, lembro do olhar da minha prima Renata.
Johnny Pinguela. 20 setembro de 2008
Escrito por Johnny Pinguela às 11h29
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