A volta do sonho roubado.
O que é o sonho americano senão o sonho de todos nós, humanóides? Uma casa com jardim para a família, uma mulher não muito gorda ou muito chata, uns pirralhos a correr pela casa, um churrasco no domingo, um cão de guarda no portão. Pode ter também um carrão tipo Opala 83, Monza 95 ou Corvette 57 e não pode faltar um time do coração que joga bola com a mão, pé ou taco. Pode ter um vizinho de jeito diferente do seu, mas, como seus Ned Flanders, Barney Ruble ou Kramer particulares, ele é o próximo daquela tal história de "ame ao próximo". Eu sinceramente não consigo desgostar da América e seus sonhos simples.
Quem não gosta de sonhar com grandes carros vermelhos e Marilyn com a saia branca esvoaçando? Quem não curte Rocky, Dumbo e Dilan? A resposta sopra com o vento. O problema com os sonhos é que qualquer vadio de merda passa a mão e sai assobiando. Para roubos de sonhos, não tem alarmes sonoros como os de lojas de roupas. O safado sai com sonho simples embaixo de casaco sério, preto e funesto e ninguém apita!
Quando toda a humanidade olhava para cima horrorizada vendo as torres do progresso desfalecerem, vadios aproveitaram para enfiar a mão nos bolsos dos americanos e levar embora seus sonhos simples, suas chaves para o amanhã. Depois, quando todos olhavam para Deus, eles, travestidos de sabidos, voltaram e na conversa os arrastaram para Afeganistão, Iraque, Katrina e, agora, para a quebra nas bolsas. Assim, o sonho americano se foi como uma linda Corvette 57, com ligação direta no medo em noite nebulosa. Mas amigos e vizinhos, sonhos, se não sabem, têm rastreador.
Dá para localizar, sintonizar, reaver. Neblina passa, ânimos se aquietam e mesmo Homer Simpson pode ser o gênio da raça quando escuta seu coração. Para o carro parar, eleger Obama é o começo*.
Depois é correr atrás dos ladrões, reaver os sonhos e voltar a correr no caminho do bem.
Eu sou um brasileiro de cara lavada, orgulhoso, trabalhador e não quero ser mandado por ninguém. Mas se é para ser manipulado por alguém, que seja por aquele humanóide honesto, com sonhos simples, que desembarcou nas praias da Normandia para tirar gente honesta de dentro de fornos e sonhos simples das trevas.
j.pinguela outubro de 2008
*http://www.youtube.com/watch?v=DEfAA8U95yM&feature=related
Escrito por Johnny Pinguela às 15h20
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O trenzinho.
Não sou escritor profissional, sou ferromodelista. Escritores constroem obras, eu faço trenzinhos. Junto trilhos curvos, pinto uma casinha no caminho, coloco um homem em escala e imito um apito de trem. Não vai longe meu trenzinho. Na verdade, dá voltas. E não podia ser diferente. Sabem, minha cultura literária mal enche uma estante Tok Stock. Rubem Braga, Clarice Lispector, Manual do Escoteiro Mirim, são algumas das minhas obras fundamentais. Minha cultura é misa gibisiva, televisiva, rasteira. Escrita pesada? Livro grosso? Parágrafos labirínticos? Não obrigado. Faltei demais nas aulas boas e agora vivo em recuperação. Vou bebendo com o velho Braga, aprendendo magia com bruxa Clarice , jogando na Megasena, escrevendo o acumulado em mim. Há quatro meses, como sabem, ando no trilho do desemprego. Então, escrevo textos, como quem procura amigos na multidão. Hoje encontrei um. Bom de histórias, bom de ideais, apitos. Como um belo trenzinho vermelho apontando na curva, até me fez esquecer da vida descarrilhada e me levar para uma outra estação. Será essa a minha? Espero...
j.pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 22h31
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