Mariposas na contra-mão.
Li em algum lugar que na Europa uma espécie de mariposas está em extinção por conta dos carros que as atropelam nas estradas. A noite, os bichinhos pensam que os faróis dos carros são um tipo de lugar ao sol particular e pimba! Vão ao encontro do morte achando que estão indo para Acapulco. Pra mim, isso é mais um sinal que vivemos o tempo da besta. Não aquela lá dos quintos, mas aquela dentro de nós. Nunca tivessos tantos recursos, escolas, igrejas, informações, debates, blogs, ongs, partidos, MTV na rua mas estamos indo direto para um farol achando que estamos indo para capa de Caras. Leio os textos de minha amiga Edra, que vive na Irlanda, e vejo que ela é alguém de olhos abertos, tipo de feiticeira no alto dos moros uivantes, que enxerga o carro vindo e tem coragem de alertar sobre o risco que vem ai. O que alguns chamariam de lucidez, faz Edra ser tipo louca ou uma mariposa indo contra o parabrisa de um trem bala. Aqui perto, na cidade outrora maravilhosa, soldados do exército condenaram a morte três rapazes. Motivo? Nada. Os caras que mataram e os mortos são muito parecidos em idades, cor de pele e classes sociais e sonhos mas uns, na autoridade de autoridades, condenaram os outros a morte. Agora viraram assassinos na capa dos jornais e morrem a luz de flash. Em escala global esse vôo as cegas, está acontecendo em todas partes, todas agendas, e todos as trincheiras. O pais mais rico do mundo invadiu e está massacrando os miserráveis do Iraque e a midia destaca o brilho estrelas sem calcinha. As vezes, até aparece uma reportagem mostrando o sofrimento dos soldados americanos mutilados na Guerra terrorista. Confesso, que sinto um tipo de prazer negro e ver aquela dor americana. Penso que dor ensina mas tsk! Tsk! Tsk! Vergonha, Pinguela. Os que sofrem são negros, latinos e outros sem voz. Talvez, seja mesmo a besta do andar de baixo que que tomou o poder ( toc, toc, toc). Desde o que Bush Jr levou a eleição para dono-do-mundo na mão grande paira um cheiro de enxofre no ar. O valor que vale é do ladrão, do invasor, do indiferente. O mesquinho que manipula a massa amorfa virou o tal. Enquanto escrevo nessa manhã fria de Curitiba, estão saindo os prêmios da propaganda em Cannes. O "Grand Prix" de anúncio, ou seja, o melhor anúncio do mundo diz mais ou menos o seguinte " para ser criança, seu filho não deve brincar por si, pensar por si, criar um brinquedo sozinho mas sim brincar com um brinquedo movido a pilha". Sacou? Para ser criança tem que aprisionar com fita crepe a criança interior e ir comprar um porcaria plástica, descartável e poluente da Mattel. Brinque de ser Barbie, brinque de ser GI Joe, brinca de ser bocó, nunca de ser criança inventiva. Propagandas bestas assim existem desde que existe propaganda. Mas o espanto agora é ver isso com o louro de " Grand Prix" . E assim ser copiada e idolatrada como uma Monalisa da Vinci. Servirá de baliza do que é "avanço" no marketing sendo que no verdade é uma geração de crianças bestas vindo em nossa direção. Como disse, com certeza esses tempos são da besta. Só nos resta saber qual. Se é a lá de baixo ou a da casa, escritório, propaganda ou continente ao lado. Pensando melhor, acho que os dois são a mesma coisa. Vade retro, satanás!!!!!
Escrito por Johnny Pinguela às 11h13
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O vírus
No Japão, neguinho anda pela rua com máscara cirúrgica no rosto. Estão resfriados e cobrem as vias respiratórias por respeito ao próximo. Civilizados, não querem para outros o espirro seu; então, se protegendo, curam de antemão o próximo. Penso que essa moda devia pegar em Curitiba.
Porém, não pelo resfriado solto, mas pelo terrível e incômodo sorriso aberto. Sabe, há tempos noto que felicidade alheia incomoda alguns tal qual um acesso de espirro em seu cangote. Gente alegre, de bem com a cama, com o time, com a idade e o caminho que Deus lhe deu incomoda tanto como farol alto na contramão. Causa ofuscamento à vista, dor no dente trancado na boca, queima enxofre nos neurônios e produz gases inodoros, porém inflamáveis. Enfim, na cidade sorriso, felicidade destrancada é um mal que precisa se curado.
Assim, penso que devemos ser como japas e, em caso de felicidade, sair de casa com máscara cinza sobre sorriso solto. Num efeito saneador, a alegria ficaria relegada ao infectado que, na sua condição de doente, em pouco tempo se emendaria, podendo voltar ao convívio normal dos sãos.
Entretanto, tratar um infectado não basta. Como comunidade, devemos ter cuidado com os fatores de risco do mal. Amor correspondido, filhos sadios, bons amigos, casa paga, crediário em dia e passarinhos cantando na janela devem ser tratados adequadamente com indiferença e desânimo. E se mesmo assim bater um “piti” de felicidade, recolha-se em sua insignificância diante da mundo, leia jornais pessimistas e veja rugas no espelho até o peso da vida vergar seu temperamento igual a flores sem água.
Também, para que não haja recaídas, os sintomas do mal devem ser tratados com compressa fria. Nada deve ser muito relevante até a que febre passe, a vista turve e a vida resseque. O assobio solto, o andar lépido, o otimismo sem porquê, brilho no olhar, fé em Deus, tudo deve ser coberto por um manto cinza do dever. Felicidade se combate com chás azedos e xaropes amargurados.
Quando muito, a felicidade é lá um espasmo involuntário. Tipo ganhar cinco reais na raspinha, uma gorjeta sem motivo, um pico de paixão na cordilheira do desamor. Em Curitiba, pessoas felizes são infelizes. São doentes, são solitários, senão, otários e acima de tudo turrões. Devem ser excluídos!!! Ou, quando muito, confinados em praias distantes e mesas de doentes como eles. Isso aqui é terra de gente séria. Quem não quer ser sisudo que vista a máscara da apatia e vá sorrir para outro lado.
http://www.youtube.com/watch?v=MVFj-_SDIHE&feature=related
Johnny Pinguela
Escrito por Johnny Pinguela às 16h44
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