Cagando na crise
Crise, crise, crise. Só se fala em crise. As lojas estão cheias e falam em crise de vendas. O verão chegou e falam que a crise vai encobrir o sol. Todos têm prognósticos feios, previsões negras e agouro vil para a crise em 09. Quem perdeu milhões está inconsolado e fala em fim dos tempos, quem teme perder emprego, está encabrunhado e quem não está nem ai, está certo. Vive o dia de hoje. Se tem sol, comida na mesa, lembrancinha no pé da árvore, bunda boa, bicho de pé, tá bem.
Sabem, eu acredito que o principal problema da crise é chama-lá de "crise". Afinal, o que é a tal? Fica meio vago. Crise todo mundo teve. Seja de espirro, de tosse, de raiva, da meia idade, ou a velha crise existencial que nos faz mudar. Crise pode ser uma merda, mas é na hora que a merda pinta, que a gente para o que está fazendo, senta, e estuda rotas alternativas no meio do labirinto Coquetel. Analisa os caminhos, pesa os valores, descarta objetivos vagos e retoma sonhos reais. Por isso eu acho que devemos chamar essa tal crise simplesmente de "cagada".
Cagada é mais inteligível, coloquial, abrangente. Quem nunca faz uma cagada e viveu para contar? Até, mesmo se ufanar " perdi tudo mas não a vontade de vencer". Por outro lado, imaginem as manchete dos jornais " Cagada na Alemanha: venda dos carros de luxo caí 38 %";" Ricos americanos se entupiram por duas décadas e agora reclamam do tamanho da cagada";" Lula diz que cagada não vai feder para nosso lado"; "FBI caça cagadores". "Obama diz: Cagada passa." ; " A Cagada vazou".
Isso é o melhor nas cagadas. Por maior, mais demoradas e mais fedidas que sejam, um dia elas passam, damos descarga, e a gente sai aliviado, com a certeza de ter encontrado um caminho no labirinto. Por isso nessa virada de ano, eu pouco cagando e andando para essa tal crise das bolsas.
Johnny Pinguela. Dezembro de 2008
Escrito por Johnny Pinguela às 12h15
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O melhor presente desse Natal.
O tempo não está fácil. Crise, violência, medo, insegurança, competição no trabalho. Por isso, acho que nesta Páscoa não existe presente melhor que o encorajamento. Pense: grama cresce sozinha, gente , sem encorajamento, não saia nem da barriga da mãe. O encorajamento é um tipo de abraço que funciona como mola propulsora. Sem ele a humanidade ainda estaria na idade média. Quer exemplos? Pegue qualquer pessoa que você admira. O pai do avião, a gatrícia da academia, mesmo um simples cobrador de ônibus. Em algum momento de sua vida, esse "vai que é tua" que vem de fora empurrou o figura. Aposto que se todo mundo dissesse que Santos Dumont era demente ele não decolava, se a gata não ouvisse "fuis-fius" ela engordava, se o cobrador não tivesse filhos sorrindo ele não se cobrava e embarcava no boteco da esquina. Alguém e em algum lugar deu-lhes uma dose de encorajamento que desceu como Red Bull. Sem as asas do encorajamento duvido até que Pelé fosse artilheiro, Lula presidente e meu chuveiro fosse consertado. Sabem, entendo tanto de chuveiros quanto de usina nucleares. Mas outro dia minha Chernobyl Lorenzeti foi pro espaço. Tendo em vista a minha incapacidade, o plano genial era trocar tudo. Mas comentando o drama com meu chapa Deni ele me disse era moleza arrumar e completou "Pinguela, difícil é escrever, chuveiro a gente dá um jeito". Assim, envolto pela bruma de coragem que ganhei do meu amigo, abri o torax do chuveiro morto e operei a ressurreição das águas quentes. Agora sou expert em chuveiro. O encorajamento é um tijolinho que edifica a gente e de quebra, constrói um mundo melhor. Se até Jesus, que é filho e Deus, teve o apoio de Simão para carregar sua cruz, porque eu tenho que consertar chuveiro sozinho? Passar a mão na cabeça de uma criança triste é melhor que dar um troco. Beijar um idoso é mais doce que bom-bom. Elogiar um funcionário vale muito que panetone e não custa nada. Apoiar um estranho fodido é raro mas pode valer uma vida ( Simão que o diga). Tem gente não elogia nada porque se diz exigente. Pode até ser. Mas o que tem babaca, avarento e pau pequeno fantasiado de exigente por ai é uma barbaridade. Olhando minha vida noto com pesar que em momentos importantes o vento do encorajamento me faltou e eu, como uma pipa triste, fiquei no chão. Sabem amigos, os oculistas estão diametralmente errados. O olhar na realidade é a luz de dentro refletida no mundo lá fora. Por isso, neste Natal, nenhum presente saído de shopping ou embrulhado em papel brilhante é mais valioso, necessário, ou doce que encorajamento. Afinal, só com muita coragem a gente muda esse mundo em crise.
Feliz ano novo! Você é um ótimo leitor !!!
Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 11h12
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Uma estrela para Francisco
Acabo de bater perna pelo centro em busca de uma estrela. Mas ao contrário de uma estrela que mude minha sorte gauche, esta é de Natal para completar a árvore lá de casa. Como carteiro de bairro invadido, andei e perguntei aqui, ali, e nada de estrela. Vi luzinhas chinesas, bolas chinesas, trevos que piscam sorte, sinos que tocam rock, rena skatista, Papai Noel tatuado, mas nadica de estrela para hastear no cume da árvore. Problemão! Se fosse minha a árvore, tudo bem. Mas a árvore é do Francisco, meu filho.
Entendam: com 3 anos, este é primeiro Natal em que o Chico se dá conta do Natal. Os doces, o refri, os parentes reunidos, não ter hora de ir para a cama, a árvore e, principalmente, os frutos embrulhados em papel brilhante.
Então, eu e a patroa hasteamos as bandeiras brancas, retirei uma caixa poeirenta (que durante o ano entulha valioso espaço na área de serviço) e montamos no capricho a árvore chinesa de pinheiro americano."Ficou maneiro, pai!", exclamou o capataz da obra. Que, como chefe, sempre tem um adendo: "Mas falta a estrela lá em cima".
Por isso, aqui estou eu com os pés doendo e em falta com o menino. Não há estrela nas ruas. Como também notei que não há muitos rostos abertos. Lembrando nuvens cinzas em noite estrelada, muita gente cobre seu brilho com uma máscara consumista, sisuda e apressada.
Pelos bairros da outrora "Capital do Natal", também notei uma redução nos tradicionais pirilampos de Natal. Aqueles acende-e-apaga que dizem para a gente ser mais alegre, emocional, otimista como folhinha da Seicho-no-ie e completo como o outdoor do Bradesco.
O que aconteceu? Onde foi parar o espírito de Natal? Será que ficou restrito às vitrines estáticas das lojas? Aos shoppings abertos 36 horas seguidas? Na caravana de caminhões da Coca-Cola? Será que o espírito de Natal virou algo que vem embalado a vácuo e de consumo imediato? O povo abre quando começa o especial de Natal do rei Roberto e joga no lixo na manhã seguinte, junto com uma porção de caixas vazias e papéis de embrulho brilhantes.
Acho que não. A estrela do Natal, menos consumista e mais festa, existe e brilha como naquele Natal perfeito no casarão dos avós. Brilha nas tias trazendo suas maioneses, assados, risotos e penteados. Os primos distantes brigando por um Velotrol ou correndo atrás de uma bola de capotão. Brilha na lembrança de um tio tentando acender uma churrasqueira, outro palpiteiro fazendo imitação de cascavel com whisky do Tavares. Brilha nos meus pais felizes, esquecendo o divórcio e eu enchendo a cara de Crush. Brilha na TV, com os bonecos da Vila Sésamo contando a trilha de Natal junto com os personagens do Bem Amado. O Brasil vivia a ditadura, os salários eram mínimos. Meus pais quase se separariam, meus avós morreriam, tios brigariam, os primos sumiriam e a Crush acabaria, mas a estrela no alto da árvore de Natal não... Nunca! Amanhã a noite Francisco terá sua primeira estrela de Natal para guardar no peito!
Johnny Pinguela
Escrito por Johnny Pinguela às 11h34
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Escrito por Johnny Pinguela às 11h51
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Nunca pare de bater com a mão boa.
Nunca pare de acredidar. Nunca pare de lutar. Nunca pare
se sentir dor e se anesteziar pelo que bate na cara, na capa do jornal, na esquina da outra rua.
Nunca olhe para baixo quando lhe olharem com amor, indiferença, maldade ou ignorância. Jamais devolva ignorância com ignorância.
Nunca jogue a toalha porque ela vai ficar para sempre com você. Vença com paciência, resiliência e lealdade, não com dedo no olho.
Se não for fácil é porque é para você ser sábio. Se for pesada é para ser forte. Se for triste é para ser Fé. Nunca pare de acreditar que as lutas lhe são dadas na medida do seu braço.
Se cair, ouça o estrondo do silêncio. Volte! Sempre, volte! Nunca caia na hora marcada e sempre volte sem aviso. Cresça no combate sendo maior, melhor, Mohamed de mil Alis . Lembre-se que, dependendo do resultado , teimosia é defeito ou qualidade.
O adversário que lhe quer derrubar é o mesmo que o mantém em movimento. Então, não pare de dançar. Não pare de gingar, de rir, de fazer careta para cara feia.
Não pare de ler pensamentos, poesia, Salmos. Frases soltas são sempre as que encaixam melhor . Nunca, jamais, em de forma alguma se esquive do melhor que existe em você e bata com sua mão boa. Porque quanto mais bate o bem, mais a mão ruim fica boa.
Feliz Natal.
Escrito por Johnny Pinguela às 11h50
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