Quem olha pelas crianças de Gaza.
Desde que me conheço por gente ( e sou gente há bastante tempo) tenho sido ensinado que os nazistas foram a encarnação maior do mal. Gente ruim, cega de ódio, com atrocidades planificadas, fornos herméticos, gases venenosos, guerras relâmpagos, bombas teleguiadas que caiam indiscriminadamente sobre cidades indefesas e assim por diante. Entretanto, estive a pensar que e cheguei a conclusão que os nazista perderam a primeira colocação no ranking da insanidade.
Com a invasão de Gaza, Israel superou a Alemanha Nazista. Explico-me com uma analogia a altura da barbaridade que ocorre no momento: pense em um pedófilo violentando uma criança no fundo de uma floresta escura. É um horror sem nome, um crime sem defesa, uma monstruosidade sem atenuantes e sem testemunhas. Certo?
Agora, imaginem essa mesma atrocidade sendo praticada no meio de uma praça pública ao meio dia. Pessoas passam, gritam, xingam, jogam pedras e o crime segue. Vem imprensa, fotógrafo, bombeiro, advogado, ONG, autoridades e o crime segue. Vem a ONU, a revolta mundial, a mancha para sempre na humanidade e o crime segue. Horror às claras, sem vergonha, sem mascáras, sem medos, com quase total apoio doméstico e apenas com a sanha de dar cabo de seu instinto.
Em Gaza, se desumaniza o homem como um dever cívico. Se corrompe a alma como uma áarvore pobre jogada aos vermes. Mata-se com discernimento e diligência, como sádico calcina formigueiro com lupa ao sol. Sem ressentimentos. Sem stress pós-traumático. Os olhos do mundo estão focados em Gaza é o assassino segue matando com a naturalidade de quem soca um travesseiro antes de dormir. Que sonhos terá depois de amanhã?
O pesadelo nazista, não encontra perdão em mim nem de ninguém. Mas ao menos fizeram suas atrocidades em um mundo com censura a imprensa, sem transmissão digital, sem celulares com câmera, sem "youtube", sem blogs e lá no alto sem satélites on-line. Apenas os olhos de Deus miravam tudo lá do alto.
Eu não entendo bem Deus. Não sou padre, não sou imãn , não sou rabino, nem fanático por Deus. Mas nesses meus anos de vida e de pai, uma coisa eu já entendi de Deus. Ele não tolera ver crianças mortas. Porque, crianças, são os mais puros espelhos de Deus na terra. Adultos, corrompidos, rachados, trincados, vá lá, que morram, se quebrem na porrada. Mas criança não. Bombardear escola é explodir o futuro. Metralhar menino é fuzilar-se. E matar bebês é matar a Deus. E isso, como bem descobriram os nazistas, é um tipo de suicídio retardado. Por isso, os carrascos que imolaram crianças judias na neblina da Polônia. E, os demais que o fazem as claras no sol de Gaza, vão ter a sua paga a altura.
Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 12h03
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Os dois mexicanos.
Pra mim, existem dois tipos de mexicanos. Os mexicanos do cinema e os do Flat Hotel San Martin.
Os mexicanos do cinema você conhece bem. Eles geralmente vestem poncho, usam sombrero, vivem uivando e tem um riso dúbio. Você sempre deve desconfiar do riso de um mexicano de cinema. Ainda mais se ele lhe responder de "si,amigo,si" e dá um riso dúbio para os colegas em torno. Isso indubitavelmente acaba em alguma trairagem chicana. Mexicano de cinema gosta de roubar seus cavalos, atirar pelas costas, explodir sua mina, laçar seu gado, violar sua chica e cortar o pescoço em seu filho na sua frente. Mesmo andando em grupos são covardes. Mesmo morando a beira de rios, são sujos e barbados. Mesmo se chamando Jesus, são o cão.
Nas versões modernas do cinema, são vistos como traficantes, estupradores, demônios, amigos de terroristas e presidiário tarado por homem branco inocentemente condenado. Falando em curra, mulheres de mexicanos de cinema também não valem muito. Na verdade, basta uma moeda reluzir no ar, que elas já estão sentadas sem seu colo, entornando tequila blanca e dançando como ciganas filha do capeta.
Por usa vez, filhos de mexicanos de cinema, se chamam Miguelito e tem um sorriso doce mas como vão crescer são filhos de puta. Ainda bem que, para aliviar, tem o mexicano servil de cinema que está sempre a tirar o chapéu de palha da cabeça (não usam sombrero) e dizer todo amendontrado "si, senor". A esses resta alguma dignidade, uma migalha de espaço na trama, a sobrevido no seriado.
No filme "Os sete magníficos*" três desses mexicanos de chapéu de palha em mãos e sem coragem para pegar em armas, partem em busca de homens bons e fortes para salvar seu vilarejo de um bando uivante de mexicanos de sombreros. Encontram apenas sete corajosos dispostos a encarar os maus. Mas, tudo bem, como usam chapéu de cowboy, eles valem por setecentos sombreros. O final dessa história de bravura, solidariedade e sacrifício gringo e sangue mexicano você conhece (A trilha sonora até virou jingle da terra de Malboro ).
Como disse, esse seria o retrato dos mexicanos que eu teria, se não fosse os mexicanos do Flat Hotel San Martin onde eu trabalhei em São Paulo. Numa modorrenta manhã de domingo, eu estava morrendo de tédio quando um bando de mexicanos chegou ao balcão. De cara, achei estranho, pois, eles não uivavam, não usavam sombreros e nem queriam roubar, estuprar ou matar ninguém. Queriam apenas conhecer o San Martin e assim eu virei guia do bando. Entre uma suíte e outra, descobri que eles eram um grupo de operários da Volkswagen que iriam passar seis meses no Brasil aprendendo a tocar a linha de montagem da |Volks por terras norte-americanas de onde vieram (Lembrete: México é América do Norte), também descobri que eles eram bem parecidos conosco sulamericanos e que tinham os mesmo sonhos e perrengues. Deixaram esposas, namoradas, filhos com nomes outros que Miguel e saudades no México para buscar uma vida melhor no Brasil. Entretanto, notei que nenhum deles tinha aquela atitude servil do chapéu na mão. Quase no final da visita, após eu mostrar com seriedade tudo de bom que o hotel e responder todas as perguntas com seriedade e apuro, que a rede de hotéis francesa requeria de seus funcionários, um dos mexicanos, latinamente, colocou o braço em torno de meu ombro e fez a pergunta em "Mexiguês" que todos os colegas tinham em mente " Jo posso trazer uma amiga pra o Hotel San Martin? ". Eu, saindo da minha máscara de recepção de hotel, respondi efusivamente em "Portucano": "Si, amigo, si!!!". E dei meu riso dúbio para o grupo . E todos demos um sorriso tão grande a América Humana.
Passados vinte de anos desse encontro, quando vejo o pessoal do Hamas ser chamado de terrorista assassino a serviço de satã e os israelenses aparecendo como pobres pacifistas coitados que precisam se defender, eu fico meio desconfiado e que esse mundo não é meio que um filme de com mexicano. E um dia venham a colocar sombreros em nossas cabeças e armas em nossas mãos.
Johnny Pinguela. Janeiro de 2009.
http://www.youtube.com/watch?v=Jm3kqis8YGs
Escrito por Johnny Pinguela às 21h20
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