O dedo azul O verão bateu como caminhão de gás em posto de gasolina. Tá um calor para índio Apache pedir trégua. Em meio ao fogo, tenho que trabalhar. Não fosse isso já um sufoco, pela janela, vejo a piscina do Colégio Estadual do Paraná.
Se você não conhece esse orgulho do ensino do estado, eu explico: o Colégio Estadual do Paraná é uma miragem. Um oásis no meio do Saara não estaria tão fora de lugar como o Estadual no Paraná no Brasil. Não existem escolas públicas como ele aqui e em nenhum estado da federação. O prédio é imponente, grande, arborizado, tem campo de futebol, planetário (juro), sala de música, pista de atletismo e uma enorme piscina azul com trampolim onde os alunos mergulham na melhor das matérias. De tão fenomenal, a escola é reconhecida por essas bandas apenas como “O” estadual. Todo escola do estado é estadual mas só uma tem “O” como pré-nome. Do meu canto quente olho os alunos saltando do trampolim e me pergunto se eles sabem que aquele pode ser “O” momento da suas vidas. Será que o garoto que mergulha no ar é grato por estudar numa escola com piscina? Por ter um dia de sol no seu dia de piscina? Por não saber o que são contas, crise da mundial da economia e ter que trabalhar numa tarde de sol. Acho que não. Quem realmente sabe que vive “O” momento de sua vida? “O” grande amor, “O” grande salto no trampolim, “O” grande lance, “O” grande pico na cadeia do Himalaia existencial. Não, amigos, não! Só quando olhamos de baixo que vemos como fomos alto naquela hora. Por isso, acho que a gente devia ter um tipo de aviso quando for “O” momento. Por exemplo, um dedo podia ficar azul. A gente mirava o rosto da moça linda sorrindo para e o dedo fica azul. Marcava o gol do título e o dedo ficava azul. Escapava da morte, agarrava um pepita no fundo da mina suja ou punha ponto final na obra prima ou simplesmente olhava um por de sol e o dedo ficava azul. Seria um aviso tão bom quanto das rugas no rosto e fios brancos no coco. Só que diametralmente oposto na mensagem. Mas isso é bobagem minha. Passatempo ou sonho de quem olha piscina azul através de janela quente. Muitas vezes “O” grande momento é ofuscado pelo dia seguinte, pelo desafio seguinte, pela menina nova da sala ou outra distração qualquer. Os garotos que saltam na piscina tem sorrisos abertos mas também tem provas bimestrais e preocupação com a formatura. Tolos. Mal sabem eles que formatura se faz todo dia. Enquanto mergulhos na piscina em dias quentes são raros como dedos azuis. Johnny Pinguela. Janeiro de 2008. http://www.cep.pr.gov.br/
Escrito por Johnny Pinguela às 12h18
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