O bom. Francisco não é mais um bom menino. Não no sentido infalível que adultos dão aos bons meninos. Francisco ainda é e sempre será uma benção de Deus. Mas agora, além do dever de ser bom, Francisco quer ser ele. Não que isso implique em ele ser mal. Apenas que ele não o bom que os outros esperam dele. Aos seis anos e meio Francisco tem vontades, gostos, discernimento e gênio. O menino bom quer moldar o castelo de areia do seu jeito e dizer ele até onde da pé no mar. Nisso os pais se contorcem, debatem, se culpam, se estranham. Ver o filho crescer é ver a vida levar. Ver a vida levar é desamar? Todos queremos ser bons. O caso que colecionar bons é como empilhar caixinhas de fósforos. Bom filho, bom aluno, bom amigo, bom trabalhador, bom fiel, bom torcedor, bom cliente estrela, bom vizinho, bom motorista, bom cidadão, bom ecologista, bom contribuinte, bom pai, bom marido, bom jogador, bom Samaritano, bom copo, bom besta , bom mal. Um dia a pilha de caixinhas entorta, um vento soprado pela inveja bate e a pilha desmorona como torre em NY. O homem ambiciona o bom como girassol busca a luz. Mas o mal ambiciona o homem como o prego busca a cruz. Há uma semana eu sou um homem mal. Fui infiel mesmo sem achar que estava sendo. Não importa meu achar. Fiz mal ao meu bom amor. Fiz sombra no sol do meu filho. Fiz desencanto a velhice de meus pais. Agora, sou mal. Agora, sou menos. Agora, solidão. Todo escritor tem uma grande dor. Eu agora tenho a minha. Quem dera pudesse escrever uma boa carta de desculpa. Ou uma bela oração de perdão. Quem dera. Johnny Pinguela, fevereiro de 2009. http://www.youtube.com/watch?v=Eqft8AablGg
Escrito por Johnny Pinguela às 15h22
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