O caminho do Batcaverna.
Ele vive nas trevas, mora numa caverna se veste de vampiro e mesmo assim é o protetor de Gothan City. Batman é um homem mas também um bicho. O cão é o são. A sabedoria da capa negra protege e ao mesmo tempo apavora. Se fazendo de mal, Batman usa o medo como espada que nunca perde o fio. Em Gothan, o bem está em boas mãos nas garras mal.
Isso me lembra dos professores ruins que tive na vida. Aqueles que se impunham pelo terror, pelo chamada oral sem hora marcada, nota zero rabiscada com raiva. Eu me recordo de professores bons mas o ruins eu não esqueço o nome. Suas aulas eram um inferno mas a lições me carregam ainda hoje aos céus. Daí a pergunta: “qual o caminho do bem?'
Quantas coisas boas nos levam para baixo. Enquanto, as ruins nos levam para cima. Vinho é bom e vômito é nojento, certo? Mas quando se embriaga demais o remédio é o vômito. Você pode rir de um cara todo vomitado caído na rua mas ele está a meio caminho da cura. Às vezes, a saída é pela Batcaverna . Bruce Wayne, filho de pai rico, descobriu isso na marra. Jesus, também. Sem a trairagem de Judas, Cristo teria renascido?
A vida é uma presente que vem sem a seta ''este lado para cima” indicando a abertura. Adoramos o sol por ele estar lá em cima mas sem o alimento que vem do chão teriámos forças de olhar para alto? Tudo que nós é mais precioso vem de caverna: ouro, diamante, nossos filhos e o Cristo renascido.
Hoje eu encontro Deus no jardim. Mas esse caminho passou por becos escuros, vômitos, sustos. O que me traz um pensamento tolo: seria o diabo nada mais que Deus fantasiado de Batman? Penso que não. Diabo é descaminho. E Deus é mais como olhos de gato brilhando na beira da estrada.
Por fim, historinha sobre caminho. Duas pulguinhas saltitavam pelo lombo de uma zebra quando uma delas parou e disse.
- Poxa, porque a gente vota nesses caras que só asfaltam a metade da estrada?
Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 18h39
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Adauto entre pedras e siris.
Eu invejo o siri. Ele tem um vida resolvida. Fica por ali na prainha andando de lado e comendo restinhos de Cheetos. Siri faz surf no raso, seca-se na pedra quente, não estica os olhinhos para ver muito além do horizonte imediato. Não quer saber de mar alto, confusão. Siri é na dele, cada um na sua toca, na sua areia mole, entre as muralhas dos dois costões. Eu, sinceramente ,queria ser delimetado assim. Ficar na minha, longe da arrebentação. Porém, desde o tempo das pranchinhas de isopor eu busquei “ir lá fora .”Fazer castelinho nunca foi muito a minha praia. Eu queria escalar as espinhas do dragão de pedra, olhar do outro lado e lá em cima se sentir o doce cafuné do vento nos cabelos. Ontem, último dia de 2008, um helicóptero do Salva Mar, como faz a cada três horas, rugiu pela Prainha de São Francisco do Sul salpicada de banhistas e pensei comigo “ o sujeito que for salvo por esse helicóptero é muito do rabudo”. Nisso a libélula de aço desapareceu atrás do grande costão norte. Momentos depois, como pescador bem sucedido, retornou magestoso com um homem fisgado no cabo. Amigos, a praia parou. O homem de branco atado a linha parecia um peixe espada que lutava para ser fisgado. Ele se agarrava a linha e a praia se agarrava a ele, até, finalmente, a areia macia indicar que a vida era boa e o homem de branco pagaria IPTU em 2009. Interrogado pelo salva vidas e banhistas metidos como esse autor metido, soubemos que o homem se chamava Adauto, viera de Curitiba, e tinha um papelaria na rua Alberto Foloni “ao lado do colégio Radial”. Estava de férias com a família e do alto de seus 50 e tantos anos resolveu dar um passeio pelo costão. Esquecer do estoque de folhas de papel em branco e, para variar , escalar pedras invés de prateleiras . Lá do alto, mirar a estrada azul e deixar os barquinhos de pensamentos navegarem. Ir além dos jovens surfistas, dos velhos pescadores mesmo até das praias com leões de África logo alí. Nessa viagem, Adauto, ultrapassou a linha mais tênue e perigosa de sua vida. Como rabo de baleia que surge do nada, uma onda enorme bateu em Adauto e o lançou ao sua tumba azul. Por dez minutos, entre pedras pontiagudas e ondas grandes, Adauto ficou só. Ninguém via , ninguém sabia que fora ali, ninguém abriria a papelaria ao “ao lado do colégio Radial” . Adauto travava uma justa de homem como o mar. Morreria uma morte digna de Heminguey, o velho dono da papelaria. Sua família vestiria negro no dia de Reveillon. Lágrimas de seus filhos salgariam o mar em todas as viradas de ano. Nisso, o helicóptero que passava a cada três horas, pairou como anjo do Senhor. Bastou um aceno e Adauto renasceu. Em um cordão umbilical de aço, Adauto veio a praia como uma criança vem ao mundo. Não era a hora dele! Acordaram todos: banhistas, bombeiros, anjos e sereias. Depois que todos cansarem da história do cara mais rabudo da praia, Adauto meio que recomposto e dispensado da função de atração de verão, retornou para casa com a maior história de sua vida para contar. Iria beijar os filhos como nunca beijou, tomar a mais doce das espumantes, amar a mas bela das amantes e voltar para o melhor papelaria do mundo. Pela resto vida, a cada reveillon Adauto ira dar vivas, agradecer ao Santo Padroeiros do helicópteros e soltara rojões na praia que dizem que vale a pena viver. Numa dessas ocasiões talvez tope com um siri na areia e num ato tresloucado olhe no olhinhos do bichinho e diga “cuzão”antes dele correr para a toquinha.
Johnny Pinguela. 1 de janeiro de 2009
Escrito por Johnny Pinguela às 18h33
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