O cochilo de Pedro. Jesus saiu do bosque e flagrou Pedro cochilando. Essa passagem da Biblía é, para mim ao menos, uma das mais significativas. Jesus, depois da Santa Ceia, foi rezar no jardim de Getsêmani e pediu para Pedro ficar alerta, orando, sem cair em tentação. Porém, ao retornar, Jesus encontrou Pedro de olhos fechados. A Biblía não diz que horas eram, nem há quantos tempo Pedro não dormia, nem quanto calices de vinho havia entornado na ceia, Diz apenas que o discípulo, para desapontamento do Mestre, cochilava. Ainda bem que o mestre era gente fina que lhe reprendeu e deixou pra lá. Acho que Jesus sabia que Pedro não era Judas e que cochilo não é sono, não é entrega, não é descaso, ou pior, desamor. Cochilo é deslize. E que não cochila nessa canseira de vida?
Quantos goleiros bons levaram para casa a fama de frangueiros por conta de cochilo? E cochilo em aula já reprovou quantos vestibulandos? Ok! Cochilar não é desculpa. Mas dormir é imperdoável. Haja visto o exemplo dos motoristas na estrada. Enquanto o sono largado joga o carro ribanceira abaixo, o cochilo faz ele bambear na pista para despertar o condutor. Cochilo é falha sim, mas não fim. Quem volta do cochilo, volta assustado, renovado, desperto, FIEL.
Pedro cochilou naquela noite para depois ser fundamental para levar a mensagens do Cristo adiante. Do cochilo acordou para a dor da cruxificação, para o abandono, para a injustiça e para a esperança. Assim, viveu sua vida reta. Foi direito e atento para a tal tentação. Virou até santo e agora carrega as chaves do paraíso. Imagino que São Pedro lá em cima, como leão de chácara do céus, barre muita “espertos” mas seja camarada com quem cochilou. Afinal, ás vezes é no cochilo que muita gente acorda para o perdão de Cristo.
johnny pinguela. quaresma de 2009
Escrito por Johnny Pinguela às 10h45
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O que faz um campo grande é o tamanho de quem joga. O futebol nasce em campinho. É no campinho que o drible é treinado e é no campinho que a paixão é fornada. Ronaldo aprendeu que sabe jogar bola em campinho e depois foi dar aula de craque em campões.
Campão é longe, é distante, é frio, com alambrando de “flexiglass” blindado, apartando time da torcida, sangue do corpo. Lá o grito de gol é abafado por “clics” da máquina .Bem como os xingamentos não são ouvidos por quem tem loira mordiscando uma orelha e Galvão Bueno babando noutra.
Ontem, Ronaldo que já reinou nos maiores templos do exterior e foi ao túmulo travestido de acabado, voltou a um campinho de interior. E lá mostrou que mais importante que o tamanho do campo (ou da barriga), o que vale para o craque é tamanho da estrela. Bastou uma simples cabeçada para transformar um campinho em campão, um jogo em história, gradil de contução, de idade e de ferro em coisa do passado.
Que o alambrado estendido chão em Presidente Prudente seja prova que de Ronaldo, como um gigante liberto das correntes do inferno, voltou para seu lugar no braços de todas as torcidas do Brasil.
Escrito por Johnny Pinguela às 14h30
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