Dois taxis. O carro da família baixou na oficina. Por conta disso, eu e patroa precisamos pegar um táxi esta manhã. Eu para ir o trabalho e, ela, para pegar o carro na Oficina do Linguinha. Porém na hora de embarcar no táxi, pintou uma conta estranha. Como a oficina e meu trabalho estavam em direções diametralmente opostas, pegar dois táxis era mais negócio e mais rápido que o casal dividir um. Assim, para economizar no táximetro e no cronomêtro, o casal se dividiu. Sozinho, como meu motorista particular alugado, começei a pensar que um dos problemas do casamento moderno é passarmos a pegar dois táxis. Não riam. Mesmo a mais forte das muralhas começa a desmoronar por uma pequena fissura. Quando a pressa, a grana, o conforto e o tédio, essa cunha perpétua, começa a separar o que devia ser rocha, a muralha passa a correr risco. Dois táxis, remetem a dois caminhos. Dois caminhos são dois destinos. Destinos diversos é desencontro. Sempre que o casal abre mão do “nós” pelo “eu”, as coisas começam degringolar. Dai passamos a ter duas camas, dois banheiros, duas agendas, duas casas e nenhum casal. Casamento não cola se não tiver esforço para juntar. Ainda bem que filhos são Super Bonder de secagem instantânea. No volta para casa, estavamos ambos cansados do dia prá lá de puxado. Mas ainda tinha um pouco de gás para brincar de pirata, de rodeio e de sanduiche de amor com o pequeno tenaz. Sabe como é o tal sanduiche? O menino, como uma mini salsicha, é prensado pelo pais. No final, todos riem juntos e nosso destino fica untado mais um dia. Casais até podem pegar dois táxis, mas os filhos não. Johnny Pinguela. http://www.youtube.com/watch?v=vWmnBRClniU&feature=related
Escrito por Johnny Pinguela às 12h11
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