A vida é uma gafe.
No cabo, tem um canal o chamado Ideal. Trata de coisas ideais para se viver idealmente. Trabalho, família, saúde, ecologia, tudo ideal. Não tem Ana Paula Gimenez , nem do Corinthians, nem mesmo filme de Kung Fu, por isso não o acho lá tão ideal. Mas, buscando o um caminho para um vida melhor, às vezes busco o Ideal.
Ontem, o tema do Ideal eram as gafes que nos afastam do ideal a mesa. Para tanto o canal contou com a presença de uma consultora em gafes e um ator. Ambos simularam um encontro em um restaurante bacana com rango bom e vinho legal. A cada momento do encontro o ator agia como normalmente humanos agem enquanto a consultura ia alertando sobre suas gafes des-humanas.
Caraca! Como tem gafes. Foi-se o tempo que comer de boca aberta era “a gafe”. Agora, tem gafe para tudo: uso de celular, aperto de mão, olhar mesa do lado, quando se servir, onde colocar o paletó, o que fazer no banheiro, o que pensar etc. Era tanta gafe do ator e tanto porrada da consultora que o encontro parecia mais uma luta entre Woody Allen e Mike Tyson. A covardia era tamanha que eu ,quixotamente, tomei o partido do pequeno erro contra a grande malvada. Assim cheguei a conclusão que a tal Mike sabe-de-tudo-de- etiqueta- Tyson encorria também em três escabrosas gafes. A saber:
Pra começar, a mulher era feia. Não feia no sentido coloquial de feiura, mas feia daquele tipo como poeta Vinicius de Moraes pedia desculpas “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental” . E a zinha ficava mais feia achando-se a maior rodela da cebola por não cometer gafes. Usar corretamente os copos lhe dava um distanciamento. Na sua rigidez acertiva e educada não tinha lugar para ser boa no sentido de gente boa. Baita gafe!
A segunda gafe da mulher caça-gafe era ser petulante. Na frente de seu olhar rasgante, nos sentimos como diante de uma serra Makita. Achava-se maior que todos porque tinha modos a mesa, tava na tv e ganhava usn contos por isso. Saber tudo de gafes a faziam dela um ser superior. Como coisa que o filho de Deus não lavou pés de amigos no maior jantar de sua vida. Humildade é gafe?
Por fim, a maior das gafes: a mulher não deixava lugar para gafes. Era uma andróide, perfeita, acertiva, milimétrica na altura do cabelo, da saia, do tom de voz e das idéias. Nunca tomaria poesia, nunca pediria o prato errado, nunca passaria a mão na bunda do carcereiro, nem lavaria os pés numa poça de chuva rescém chuvida. Seu anceio maior era uma existância com todos os pingos nos “is”, filhos sem sardas, marido sem boca, cão sem ladrar. Lhe bastava apenas um taier de bom tom, o sorriso cenico das bonecas de distânci desse ideal. Fui.
Johnny Pinguela. Junho de 2008.
Escrito por Johnny Pinguela às 10h03
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