Alegria lhe cai bem. A moda está cartaz. Na São Paulo Fashion Week só se fala em cortes, tecidos, estampas, desfiles, viadices em geral. Moda é negócio. E negócio tem que ser vendido para dar dinheiro. Então, dá-lhe blá-blá-blá e clic-clic-clic sobre quase nada-nada-nada. Afinal, o que é moda? Fazem um barulhão danado sobre a nova coleção outono-inverno mas no fim rola jeans e afins. Além do que, vamos falar a verdade: esses estilistas são uns chupões. Para tanto, eu já saquei, eles seguem basicamente quatro caminhos. Uns, saêm pelas ruas, praias e baladas clicando o que acham diferente, inusual. Por exemplo, um dia alguém saiu de casa na pressa e vestiu uma camiseta de manga curta por cima de uma longa. Um estilista registrou essa gafe e transformou em tendência. Agora, a gente compra essa combinação protinha na botiques e o estilista fatura. Outro, caminho clássicos dos estilistas mais preguiçosos é comprar umas revistas antigas em sebos e fazer algo chamado “releitura”. Muda cor aqui, caimento alí e pau! Você tem uma releitura dos animados idos da New Wave. É assim que a altura da cintura sobe e desce feito io-io. Tem também a turma de vanguarda que segue o caminha do aeroporto. Ir para um lugar diferente e chupar o que rola lá. Que pode ser em Guaiaquil , em Ibiporanga, em NY ou, normalmente, em Paris. Na volta o dandi retorna cheio de sacadas para sua nova coleção. Mas na real sacou da cabeça da modista colombiana. O quarto caminho, que até considero o mais integro de todos, é misturar tudo, rachar pau no gato dentro do saco, e fazer o seu chiado realmente novo. Isso é talento. E é para poucos. O resto é tendência que nada mais é um jeito chic de falar que chupou. E falando em tendência, quem foi que disse que modelo tem desfilar de cara feia? A menina é bonita, tá ganhando um maná por um trampo mole e ainda assim faz cara veia. Seria a cocaina batizada? Moças da faxina tem o direito de fazer cara feia e não o fazem. Porque as moças lá de cima fazem? Se a roupa é tão linda, o tecido tão leve e caimento tão perfeito, por que a cara de cimento? Pra mim, na verdade, não existe caimento melhor para uma roupa que tal felicidade. Quando a gente está feliz, tudo está lindo, leve e perfeito. E a roupa é o de menos. Podemos vestir seda da Dior, mas se estamos mal ela vai ser estopa da pior. Podemos vestir trapos da José Paulino, mas felizes, será Saint Loren. Nada, nenhuma fibra, nenhuma roupa, nenhum grife, nenhuma carreira de porcaria cai melhor na gente que alegria. E para isso não existe estilista melhor senão você. Corte os medos, costure as amizades, se cubra de amor, depois jogue uns panos que gosta por cima e saia desfilando pela cidade. O resto é moda. E moda é passageiro de trem otário. Johnny Pinguela
Escrito por Johnny Pinguela às 02h47
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No labirinto do Crack. Primeira evidência: dois homens foram mortos e esquartejados em um apartamento próximo a Prefeitura Municipal e do Palácio do Governo. O dono do apê do terror, filho de um dos mais renomados advogados do estado, “alugava” o imóvel em troca de pedras de Crack. Segunda evidência : a filha de um conhecido pediu socorro ao pai pois, em menos de quinze dias, indo na onda do namoradinho canalha se viu aprisionada no labirinto que é o Crack. Terceira evidência: nada. Nada disso gera muito estranhamento. Muita manchete no jornal. Muito microfone na cara de autoridade. Muita polícia na rua. Traficante rico em cana. Existe no momento uma epidemia de Crack em Curitiba. Acham que ela ronda pelas periferias. Mas ela está perto. Bem perto. O Crack tá rolando solto na região do Centro Cívico onde sempre ando. Circulando também pelo Orkut descubro que uma pedra custa 3 reais e ao fumar 5 você já está fisgado. Numa comunidade de pacientes em recuperação um comentário chama atenção “com a cocaína eu conseguia controlar, com Crack não”. Quer dizer, cocaína virou café pequeno. E quem liga? As barbas do poder nunca foram tão fumaçentas. Trabalhei ao lado do Colégio Estadual do Paraná e não raro via adolescentes tragando latas de Fanta, (transmutadas em cachimbo do mal) nas subidas para o Alto da Glória. Aos 15 anos, fumam esse inferno como eu fumava Hollywood. Eu hoje não sou fumante porque tive escolha e orientação do risco do tabaco. Será que esse jovens tem essa sorte? Não entendo como não se escancara isso! Acho que proximidade da disputa eleitoral seja um entrave. Mostrar jovens zumbis vagando pelas ruas só demonstraria que todos os candidatos tem telhado de vidro. Esse caso do apartamento sangrento mostra como o sorriso sardonico da cidade está estriquinado. Dizem que Curitiba é uma cidade verde. Não é. Na verdade ela é cinza. Nada aqui é preto ou branco. Tudo depende dos interesses, dos conchavos, dos abafas. Enquanto nenhum filho de deputado morrer esquartejado tudo vai se levando. Há 15 dias, 214 almas que voavam num Air Bus desaparecem no meio do Oceano Atlântico. Desde então, a Marinha, a Aeronáutica , os governos do Brasil e França e a mídia inteira fazem de tudo para regatá-las do azul profundo. Enquanto isso, no túmulo do asfalto, os naufrágos do Crack seguem se debatendo sozinhos pela próxima dose. Eu tenho um filho e tenho medo.
Escrito por Johnny Pinguela às 14h30
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