O rei morreu. Viva las Vegas!!! O talento de Michael Jackson como cantor e dançarino é inquestionável. Repito: inquestionável. Assim, como seu talento para ser um merda. Contabilizem comigo. Pobre, virou esbanjador estriquinado. Negão envergonhado, virou branca altiva. Gay, virou marido da filha do Elvis pegador. Abusado pelo pai patrão, virou um pai de proveta que joga filho pela janela. Criança estranha, crescido, resolveu fazer brincadeiras estranhas com meninos. Mortal, achou-se divindade. Sacrilégio meu? Você deixaria seu filho dormir sozinho no templo? Ok! Michael é famoso. Mas por que? Pela estrela ou pelo disperdício dela? Ele, montado em seu talento único e popularidade quase infinda, podia escolher. Podia ter sido um negro altivo, um gay superior, um pai decente, um junkie de monta, defensor dos pobres, diretor do Olodum , ministro do Obama, ser lider da causa do cabelo pixaim, Mohamed Ali que lutava com a voz, Jimmy Hendrix que dedilhava com os pés , mas, nada. Deslumbradamente, preferiu ser capa de revistas tolas, adotar macaco com irmão e viver na terra do nunca. E agora? Nunca foi nada de concreto em vida e agora é um nome em tumba dourada. Como múmia será que vai virar atração da Disney? Como icone vai encaminhar os filhos? Como linda branca rica vai ser exemplo para os feios negros pobres do mundo? Mais certo que se nome vire marca de cassino em Vegas ou jeito tolo de morrer. Até no fim , tomando droga de consultório ao invés da esquina, Michael deu vexame. Ou raiva. Ou pena, sei lá. Não é do meu feitio falar mal de morto. Mas Jacko é zumbi. Como os figurantes de Thriller seu talento para dançar e cantar vai lhe segurar por uns tempos. Mas assim como os vermes vão carcomer a carcaça livia que pensava ser di-vi-na, seu mito vai desaparecer sobre as areias movediças da midia. Pra semana pinta outro talento com trejeitos, luvas ambição* ou burrice de querer ser Deus . O rei do pop é morto. Viva las Vegas!!! * http://www.youtube.com/watch?v=qlpTFa-wGc4
Escrito por Johnny Pinguela às 10h48
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A desvairada do Mossunguê Cristiane Yared está bombando. Aparece em todos os jornais, distribui adesivos de campanha, encabeça passeata, foi no programa da Ana Maria Braga e chorou no Profissão Repórter. Se a causa de Cristiane fosse um desfile de moda, um ambiente na Casa Cor, receita secreta de esfirra ou outra irrelevância qualquer, Cristiane estaria também na coluna do Reinaldo Bessa. Mas sua causa é a querer justiça para o assassinato do seu filho num acidente de trânsito no Mossunguê causado por um deputado. Por essa ousadia, querer justiça numa terra injusta, Cristiane agora é taxada por alguns de louca, de vingativa e até de encapetada. Falam que Cristiane quer aparecer, se eleger deputada ou, simplesmente, encher o saco. Vejo Cristiane aos prantos na TV e me lembro de uma cena de cinema. No documentário Fahrenheit 9/11 uma senhora iraquiana se desespera que me meio aos escombros que virou seu lar. Debaixo da pilha de concreto explodido por um bombardeio ianque jazem seus familiares e a mulher só resta gritar pela justiça de “Alah”. Ninguém a repreende pois aquela é uma dor de todos que tem filhos. Repentinamente a cena corta para Britney Spears. A loira linda masca chiclete calmamente enquanto educadamente reafirma sua confiança na guerra justa no Iraque. Entre um ponto de vista e outro penso que a maneira que lidamos com a dor seja um questão de proximidade ou, quem sabe, de herança. Cristiane tem descendência árabe e os mouros tem a tendencia a externar sua dor. Diametralmente o oposto da regra polaca-germânica-curitiboca. Da minha janela avisto o campo do coxa. Em 2007, no jogo derradeiro que a selou a queda do Coritiba para segunda divisão fui pesaroso ver a saída do torcida enlutada. Pensei que iria ver berros, desmaios, revoltas, desesperos insanos mas o que vi foi só ordem e silêncio. Os torcedores ao invés de diluirem no coletivo a sua dor, a particularizavam, engoliam, enterravam. Ao pisarem na rua continham as lágrimas e vestiam um máscara neutra da indiferença. Assim, anestesiados, se achavam evoluídos. Assim, apáticos, estavam menos doídos. Assim, meio mortos, estavam mais vivos. Será? Tratar a dor com frieza e distanciamento não torna a dor menor. Pelo contrária, como um espinho no pé que insistimos e pisar, torna a pontada mais funda, lacinante, nociva. Então, entre implodir e explodir, acho melhor gritar e se debater. A ferida aberta no peito de Cristiane Yared nunca será cicatrizada de todo mas , se a luta por justiça lhe ajuda a viver, que seja. A mídia está atulhada de gente louca. Gente que quer fama, que busca grana ou que está alucinada para não ir em cana. Uma desvairada, que busca por justiça não me incomoda em nada. Bem ao contrário dessa cambada que, se conseguir colocar uma mordaça em Cristiane Yared, querem lhe vestir uma camisa de força.
Escrito por Johnny Pinguela às 10h06
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