Vileiro unido sempre será detido! Os shopping de Curitiba estão em guerra com os vileiros. O que são vileiros? Não sei ao certo o que são mas deve ser gente indecente para andar em shopping. Vestidos com sua moda de gueto americana costudara no Brás por boliviana semi escravizada, vileiros são como aves a procura de um pouso. Não aceitam as vilas de nomes tristes onde nasceram. Não aceitam o caminho sem anti-pó que lhe é imposto. Nem toleram dos seu nomes de batismo. Vileiro não quer ser Regimiraldo Crisitiano Ruiz, quer ser Rei CR. Vileira quer ser Britney e não Britney Rendeira de Lima. Vileiros querem ir para um futuro diferente do presente de seus pais e das manchetes que jornal pinga sangue. Por isso, tem Orkut, Messenger, roupa de grife fake e no domingo, como seus pais iam pracinha do correto, vão ao shopping. Mas vileiros ao contrário dos demais “shoppincóolotras” não tem poder aquisitivo para vivar gente fina. A única coisa que o vileiro consome no shopping é o espaço no corredor. Por isso tem que ser expulso como um besouro berde vestido de boné Tuma. Por isso fazem cara de bandido. Por isso fazem protesto na frente do shopping e por isso vão em cana. Justo?
Na outra ponta do leque social está Mindy. Ela é o que os americanos chamam de dinheiro velho. Tem a gerações e sempre o terá. Mindy roda pela cidade em um Land Rover que mais parece um tanque de guerra com bancos de couro. Do alto do poder de fogo de seu Mastercard Platinium Extra, Mindy desfila por Curitiba como americanos por Bagda. Mindy dorme em um condomínio Forte Apache, leva os filhos a sua escola blindada e depois vai até catedral do consumo municiar seu closet. No shopping, Mindy é mais. Tem jóias, roupas, perfumes, encantos e dengos. “The Mall its a Victorias Secrets!” Mas agora nos finais de semana Mindyfoi privada do seu santuário. Tudo por conta dos vileiros. Como leões não toleram ienas em cima da sua carne, Mindy odeia vileiros. Aos olhos de Mindy vileiros são uma aberração social, ladrões, invasores, destituídos de finese, parte gangrenada da vitela. Se a sociedade é um tecido, os vileiros vivem na ponta rota de um fiapo que deve ser amputado fora. Talvez a mãe de algum vileiro lave as calcinhas finas de Mindy, outra embale o sono de seu filho, mas o filhos destas não merecem respirar o mesmo ar condicionado. Mindy me disse que no tempo que viveu Londres, não ia ao shopping, pois andava livre na rua. “Onde havia respeito, poesia no ar, e até dava para cruzar com Doris Lessing”. Imaginem!!! Doris Lesing na mesma calçada. Porém, no retorno ao Brasil, Mindy teve que se enquadrar. Entrincheirou-se no triplex, cercou-se de segurança e o shopping virou sua casamata. Agora, o invasor tenta lhe tomar esse naco de terra santa. Fico ouvindo Mindy destilar suas razões e de como era sua vida na Inglaterra. E imagino Mindy indo as elegantes corridas reais de Ascot junto com centenas de ricaço latinos, africanos e indianos. De repente, a cancela de ouro baixa na frente de Jaguar de Mindy e o guarda da rainha diz que ela fora da festa. Mindy tem sotaque estranho, tão tem a procedência devida, não tem o histórico escolar da nobreza, nem mesmo a finura de se vestir na loja da realeza que fica fora dos Malls. Seu nome nem é Mindy mas Maria Dina Conceição de Albuquerque e Lima. Assim, Mindy roda a baiana, arma o barraco e faz piquete ao lado de milhonários da Argentina, México, Zambia e India . Falam da igualdade, de respeito, de coexistência, de Gandy e até de “ amar uns aos outros como eu os amei”. Tudo em vão. A real tropa de choque hollingan chega e toda corja alien vai para as gaiolas reais . Afinal, em Ascot, Bagda , Calcutá ou Curitiba, vileiro unido sempre será detido. Por fim, se a elite brasileira não gosta do cheiro de seus pobres deve ser porque eles mesmos não cheiram lá muito bem . Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 11h46
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A caixa Sabem, acho que acabei. Tenho tentado me virar, mudar, engolir o que cuspia, me reinventar. Mas minhas reinvenções acabaram sendo só uma nova forma de ouvir “ não”. Hoje o vento passa por mim como por uma casa vazia. Quanta coisa havia dentro. Quantos livros, mapas, planos, cata-ventos. Eu ia girar o mundo. Domar leões, inventar saltos, dar piruetas e entregar flores para a menina de olhos brilhantes na primeira fila. Agora conto dias pela caixa de leite que abro no café da manhã. Acho que é quinta (tem uma caixa para mim amanhã). Ao acordar penso em uma cascata de boas novas. Mas tem chuvisco de alfinete vodu. No livro do Segredo dizem que tem que se pensar em boas novas para elas acontecerem. É como um jardim que floresce primeiro em nossa cabeça. Não acho graça alguma em duvidar. Por isso, planto o bem dentro de mim. Penso em uma mão vinda do nada e me dando um milhão, um abração, um empurrãozinho ou um simples “olá amizade”. Penso em retomada. Penso em recarga de energia. Penso em religião. Penso demais. O que quer Deus de mim? Na história do renascer da águia, o bicho perde tudo. Bico, garra, asa, visão. Só fica um saco magro de penas tristes. Mas um dia volta. Onde está minha volta? Onde está minha segunda chance se nem a primeira sei ao certo se tive? Aqui na caixa eu sou Deus e os peixes têm a água verde do aquário trocada, as flores são regadas, os móveis mudados de lugar e a poeira varrida. Eu preciso fazer mais do que isso. Preciso sair da caixa, existir, escrever, criar um filho. Me sinto um pouco como uma caixa de fósforos que acendeu todos os seus palitos. Mas caixas de fósforos não rezam, não escrevem e não riscam fósforos dentro da caixa. Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 10h50
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