A arte da paz
No Metrô de São Paulo tem máquinas que vendem livros. São como aquelas máquinas americanas que vendem salgadinhos. Só que as do Metrô engordam neurônios. Por 5 reais, você pode saber como redigir um currículo, aprender receitas de bolo, ter dicas de computação, descobrir as melhores cantadas, rir com frases de para-choque de caminhão e dominar “ A arte da Guerra” de Sun Tsu. Não sei por que um livro sobre luta, morte e fim é vendido para quem está apertado e estressado em um bunker subterrâneo, mas imagino que deve ser porque o povão quer vencer a batalha. Paulistas vivem na linha de frente da guerra pela sobrevivência. É justo buscar a melhor estratégia para defender o seu. Em São Paulo, quem não tem uma estrátegia, um diploma, uma bunda boa, um cano fumegante, um esquema forte ou mesmo uma criança doente no colo vira saco de lixo ambulante. Com isso, todo mundo se arma, brutaliza e intrincheira-se. Daí fica buscando uma vantagem estratégica na sabedoria chinesa. Como coisa que china vive numa boa. Entretanto, confesso: já li essa livro do tal chinês. Basicamente diz que só se conquista a paz através da aniquilição dos inimigos e da imposição do medo aos amigos. Quer dizer, para ser considerado, você deve virar um rinoceronete com chifres em todas as faces. É um fato comprovado que quem estuda a cartilha do demônio deslancha na vida. Os valores brancos são um lastro que segura a ascensão social? Cortem-se. O amigo é empecilho? Apunhale-o. A montanha é ingreme e alta? Subamos de helicóptero roubado e foda-se o resto. Tudo é muito simples no manual negro. Mas punhal é um bumerangue e cedo ou tarde ele volta na sua testa. Em São Paulo estão construindo cidades dentro da cidade, com escolas, escritórios, restaurantes e shoppings protegidos por muralhas. Me lembram a Cidade Proibida dos imperadores chineses. Todos leram Sun Tzu e todos um dia caíram em suas prisões de jade. Em um grafite na parede suja de uma estação velha, leio “Um dia saí para passear e tropecei. Amanhã pode ser você.” Não imagino quem tenha escrito aquilo. Mas com certeza deve ser alguém que não leu Sun Tzu. Outro sábio disse que “o que nos difere nos une”. No fundo somos todos grilos, apenas alguns teimam de cantar mais alto na árvore. A paz é a arte.
Escrito por Johnny Pinguela às 22h28
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Escrito por Johnny Pinguela às 16h40
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Beto é benção.
O Paraná faz fronteira com a Argentina e a nossa Curitiba devia ser conhecida como capital nacional do espirro e não cidade sorriso. Entretanto, não existe um alerta local sobre a proximidade da gripe suína. Não há campanha informativa nas ruas, não há disk qualquer coisa, não há zé gotinha de máscara pra ensinar as crianças. Além das notícias vinda de fora, não tem nada para orientar a população. Por que? Ora porque Beto é benção.
Da mesma forma que o crack, a violência, a crise, os rachas de playboys e os esquemas corrupção, o vírus H1N1 vai passar longe da cidade modelo. Beto Richa é benção e nada de errado vai atrapalhar nossos planos. A Copa já veio e vai ter até um Metrô que não é boate de político. Tem obra sendo inaugurada todo dia, buraco tapado, sujeira encoberta e não vai ser um espirro que vai baixar nosso IBOPE.
Ainda mais sendo o vírus H1N1 de fora. Como um clandestino mexicano, o vírus não nasceu no Batel, não estudou na PUC nem frequenta o Barigui, então a culpa não é da gente do Beto. Certo? O Requião, o Lula, a OMS e Chapolim Colorado que se virem. Porque aqui as notícias boas estampam os mobiliários urbanos e os jornais comprados nas bancas são os mais vendidos.
Beto é benção meus irmãos. Com seu queixo de jurado do Raul Gil, sorriso Colgate e interesse sincero em ouvir a gente, o Beto vai dar um passe ou um Abracadabra e o vírus vai sumir comoimagens de rachadores no radar. Ninguém precisa temer, ne-nhu-ma criancinha vai morrer e nada vai estragar nossa imagem de cidade européia desgraçadamebnte encravada no terceiro mundo. E se alguém por deslize, por azar ou por intriga da oposição espirrar a culpa não é do Beto. Mas do infiel que não professou fé no milagre do prefeito perfeito.
Beto é benção. Beto é sim. Atchim!!!
Escrito por Johnny Pinguela às 10h22
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O crachá
Dizem que leva oito segundos para uma pessoa formar uma opinião sobre a outra e uns oito meses para ela mudar essa opinião inicial. O primeiro baque é o que marca. As pessoas andam pela vida como se pendurassem crachá umas nas outras. O sucesso veste terno. O tesão é loira. Harleyro é rebelde. O estranho é medo. O perdedor não vale a pena. O velho é passado. Certa vez andava de ônibus quando um senhor grisalho embarcou. O ônibus estava quase cheio e o senhor tentou sentar perto de uma rapaziada da hora com bonés Van Dutch e camisa Osklen e foi enxotado como um gambá que fedia à velhice e gomalina. Daí veio sentar-se ao meu lado - eu que fedia à meia idade e vinho barato. Puxou prosa e descobri que ele, depois de aposentado, virara inventor. Bolava coisas para fazer um mundo melhor e a turma do boné se achando genial. É triste isso. Tomar juízo das pessoas dessa forma. No grupo do boné também podia ter inventores, músicos, poetas, bocós. Mas tomei todos pelo crachá de mostruário da C&A. Daí, meio que assustado, pensei em mim. Quando me vejo no espelho não me acho eu. Vejo dobras, dentes encardidos, unhas maltratadas, pernas tortas de nascença e poesia nos olhos por opção. Qual será meu crachá? Um amigo cartunista certa vez me pintou como aquele Rufus Lenhador da Corrida Maluca. No lugar da serra, uma máquina de escrever. Achei bom! Melhor que o retrato no espelho. Também já me chamaram de Vermelhão pelo cabelo que não é mais ruivo, Fantomas pela magreza perdida (mas achei que era por sempre sobreviver) e finalmente, de Pinguela, que adotei. Já Hoje? Não sei por que crachá me tomam na rua. Visto roupas de brexó, ando de ônibus, leio em cafés, ouço Cartola e procuro ser alguém melhor que o cara no espelho.
Mas não tenho saco para grifes, posturas da moda e outras falsidades. Amigos e gente educada dizem que escrevo bem. Digo coisas que as pessoas ouvem, pedradas na vidraça do canalha, auditorias independentes de palpiteiro, dor, amor, barquinhos de papel. Esse sou eu! Esse eu aceito! Meu texto é meu crachá. Me tomem por ele. E não por aquela coisa no espelho que insiste em me engolir de fora para dentro.
J. Pinguela
Escrito por Johnny Pinguela às 15h52
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Hei! Hei! Eu sou legal.
O UOl escolheu. Esse blog agora é um Blog Legal. Obrigado a todos que me visitam, comentam, indicam, me chamam de analfabeto, filho do demo, gostam ou desgostam. Sem vocês eu não tinha escrito tanto. Vou seguir daqui. Toda semana tem pelo meno um chute novo na canela do cotidiano. Abrax, J.P
Escrito por Johnny Pinguela às 15h33
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