Com o avanço do gripe na cidade de Curitiba, as autoridades municipais e estaduais, informam a população. Não brinque com coisa séria. Faça como as autoridades constituídas, tenha descaso por elas. A Gripe Suina também conhecida como mexicana, N1H1, Nova gripe, Gripe A passa a ser conhecido como você achar melhor. Corrente de ar combate o vírus. Deixe a casa escancarada quando sair para trabalhar. O que é o preço de um DVD diante da vida? Para evitar contágio atravesse a rua (ou vá pela contra-mão) sempre que encontrar alguém pelo caminho. Em lugares com ar estranho, respire calmamente até ele ficar familiar. Vá academia mas não faça esforço repetitivos. Mulheres grávidas correm risco. Faça aborto clandestino. Beijo é risco. Não beije ninguém ao não ser a Gisele. Afinal, se perder essa, vc vai querer morrer mesmo. Não de bom dia ao vizinhos. Ok! Vc já faz isso mas não custa lembrar. Talheres podem conter o virus, ao se alimentar, use as mãos, depois descarte-as. Alcool mata o virus. De preferência os 900% mais caros encontrado em todas as drograrias. No trânsito matenha as janelas abertas e cabeça para fora. Motorista inclusos. Pessoas de baixa renda estão mais sujeitas ao virus. De aumento extraordinários a sua diarista e asemelhados e veja como eles ganham vida. Escolas, restaurantes, cinemas, igrejas, shoppings, escritórios, fábricas, sua casa e de seus parentes e amigos são locais de risco. O melhor é ficar girando com o carro pelo rodoanel até o virus cansar de esperar. Eviter o elevadore, suba pela escada, mesmo morrando no térreo. Para evitar entrar, todos os estabelecimentos comerciais teram delivery, inclusive saunas.
Escrito por Johnny Pinguela às 12h12
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Drogas como maconha, cocaína, crack podem amenizar os sintomas da gripe, mas só Tamiflu pode matá-lo. Não confie em estranhos. Principalmente se você não os conhecer. Não tussa nem que a vaca tussa. Não leia livros. Eles abrem sua cabeça e facilitam a entrado do virus. Para não prejudicar o negócio de buffet, faça suas festas normalmente, apenas não convide ninguém. Não pisque. O virus pode aproveitar desse momento de distração. Comer mamona evita o virus. Quem ri melhor agora? Ha,ha,ha. Um dos lugares mais seguros contra o virus é o cemitério. Mas atenção que lá pode ter Dengue. O zoo municipal é um lugar seguro contra a gripe. Mas só do lado de dentro das jaulas. Nos estádios de futebol, evite as arquibancadas e prefica ver o jogo do campo. Em caso de óbito ligue para o Siate. Matar o trabalho não mata o virus mas dá um alívio. Só pratice sexo sem parceiros. Mesmo assim não esqueça da máscara. Só vá aos shopping se for absolutamente necessário. Ou seja: nunca. Espirrar diante de uma autoridade é desacato. Passível de multa. No caso de escarro na cara, aplauso. O valor por suas multas de trânsito sera usado no combate a gripe. Desta forma, faça sua parte: soca a bota. José Sarney pegou o virus, mas seu seguranças já estão pondo o intruso para fora. Ter um jornal local em casa é ótimo. Molhados, eles ajudam a calafetar portas e janelas. Não assuma compromissos para daqui 15 minutos. O resto é incerto. Não lave as vidraças, não corte a grama nem pinte os grafites , o virus pode achar que sua casa é um escola pública abandonada e passar batido. Petistas não podem pegar a gripe sem fazer uma assembléia. Surf ferroviária agora é compulsório. Todos os passageiros devem praticá- lo. Sem exceções, maquinista. Veja o lado bom. Com o uso das máscaras dessiminado aproveite para assaltar e estrupar livremente. Desempregados estão dispensados do trabalho. Para evitar aglomerações a polícia abriu as cadeias. Pessoas de Guarapuava são de alto risco. Principalmente a 190 km/h. Não participe de culto religiosos ao não ser que o seu deus seja o Deus.
Escrito por Johnny Pinguela às 12h12
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Covenhamos: matar aulas nunca teve tantos cumplices. Lavar a mão com alcool não basta. Para esterelizar bem, passe em seguida sobre o fogo Use mascaras. De carnaval, haloween e mergulho e Bin Laden. Se sentir algum sintoma use uma de Beto Richa para ser atendido prontamente no PS do bairro. Vitamina C, aspirina, inalação não previne da gripe mas as farmácias não querem que você saiba disso. O virus da gripe não é similar ao virus da Aids. Portanto, não use preservatido como mascara. Não entre em pânico até que as autoridade ordenem. Nesse caso, fique calmo e pegue a senha. A gripe mata. Suicidas Emos façam uma festa. O virus prefere a cor vermelha. Não tome onibus dessa cor e nem vá em jogo do Atletico mas siga votando no PT. Não confie nas autoridades, nem na imprensa, nem nos pastor, nem blog , nem tuiter, apenas mudos hoje em dia tem credibilidade. Para preservar as crianças, não as tenha. Casa seja tarde, plastifique a sua. Não se irrite por seu filho estar indo a escola. Lula não foi e olhe onde ela acabou. Pergunte a si mesmo “isso pode me pegar” Caso a resposta seja “sim” diga “ fala sério”? Em caso de alguma dúvida, ligue para um japonês CDF. Lembre-se:este não é momento de apontar culpados especialmente se você é um deles. Certo, prefeito? O governo do estado tem estoques de vacinas, mas só vai entregar em eventos e datas especias com a presença do governador no palanque. Evite aglomerações: não vá aos hospitais. Em caso de morte esse assunto será enterrado. Vá pescar, surfar, dormir na rede. Você nunca teve tão boa desculpa. Se pegar o vírus lembre-se que 2012 tá logo ai. Voce só fez um embarque VIP. Tem sempre uma boa lição em tudo. Mas como não tem aula a gente não vai saber qual é. Aproveite! Tempos de incerteza são os melhores para pensar na transitóriedade da vida. E mais importante de tudo ! Ande de costas . O virus , confusso, tem menos chance encontrar o nariz atraz. Por fim, ironia não resolve nessa hora? Mascara também e todo mundo tá usando
Escrito por Johnny Pinguela às 12h11
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O Rambo do Pilarzinho Ontem passou Rambo. Calma! Siga lendo, vai ter algo de bom no fim disso. Bem, continuando, ontem passou Rambo 1. Você sabe a história, todo mundo sabe, a Net não para de reprisar. Andarilho sarado é maltratado por delegado gordo e revoltado com o desacato ao seu passado, transforma a cidade numa peneira, fim. Acontece que nesse jorro de testosterona e tiro tem uma cena que para mim lembra Cristo no Calvário.
Acontece quando o Rambo é perseguido na floresta enevoada por um bando de policiais com chapéu de Beto Carreiro. Faz um baita frio e Rambo, para mostrar o muque, veste camiseta de parada gay e só tem canivete de Itu para sobreviver naquela terra estranha e inóspita como Curitiba em dia de julho. Se Rambo pouco tem, a turma da estrela no peito tem casacos felpudos, metralhadoras, bússola, mapa e rádio. Não ganharam tudo isso por serem heróis, mas por serem obedientes, conformizados a tudo e covardes em buscar vida melhor virando a esquina da rotina. Assim ficam no mato presa e algoz, herói rebelde e radicais de centro, gato e rato. E aqui começa a grande cena.
O time que caça acha que é moleza pegar o mendigo sem rumo. Eles são maioria, conhecem o terreno e têm a lei às suas costas e balas na agulha liberada para atirar. E o alvo é um zero à esquerda. Até que, pelo rádio, chega ficha do zero. "Rambo, John. Boina verde, h'eroi do Vietnan, matador, pai índio, mãe nazista, come cobra, costura o braço com caco de lixo, ri na tortura, tira o sutiã e dá tetada e vai fazer mais três sequências do filme sem ter gente com chapéu de Beto Carreiro." Nisso, ao ouvir tudo que o fugitivo já enfrentou na vida, o tira ruivinho novato ri sardonicamente de estar no meio de um mato alto querendo prender um vento.
O filme segue, Rambo entocaia todos, arruma uma metralhadora superfálica e esporra geral. Mas para mim legal é a cena do rádio dando o vida pregressa do cara que pensava não valer nada. Nessa hora eu penso no Rambo e lembro do meu amigo Cesão. Muita gente por aí diz que ele não vale nada, que está acabado, condenado. O pior frio de Curitiba sopra nos corações, bem sabe o poeta. Se soubessem da ficha de Cesar, pensariam duas vezes. Cesar sempre foi bom, mesmo quando era doido. Mão aberta, boa praça, despegado da escala de horas e gana por promoções da firma. Sempre que vou visitá-lo, Cesão me recebe no portão com um casaco militar estilo Rambo. Cesão já teve jaquetão de botão dourado, fama, medalhas, dinheiro, trabalho aplaudido além da boca maldita local. Por isso mesmo, tido agora como alguém do passado, vive de bicos. Estagiários ruivos, sardentos e burros tem mesa e trabalho. Cesar tem bicos. Por que será? Porque não lhe dão uma segunda chance? Rambo 1 teve Rambo 2. Salvou cativos, matou bandidos e levou bandeira de faixas e estrelas ao alto mais uma vez.
Já Cesão não tem vez. Como Rambo, lhe caçam com dois cães farejadores chamados Rancor e Indiferença. Assim, sempre em movimento, meu amigo não tem um lugar para chamar de seu. Por isso, a turma que o persegue diz que Cesar não tem valor, conhecimento de informática, cheque especial. Se acham como delegado rancoroso que mira o Rambo com a luneta do alto de um helicóptero. No filme, ele cai, como Golias cai, com uma pedrada. A funda do Cesão é seu talento, seu traço e a mira de seus olhos vivos que já viram de anjos a demônios.
Na saída de casa, após me contar história de vitória e sobrevivência sem par nessa terra que acha polenta prato nobre, Cesão me olha um olhar vago de quem busca uma saída entre nuvens. No filme, após explodirem uma mina, os covardes dão o fugitivo como morto. Daí Rambo tira um fósforo de sua faca, escapa do esgoto escuro e volta apavorando geral.
Pra semana, volto lá ver meu amigo. Na bagagem, vou levar um abraço, uma piada boba, uma faca de Rambo ou qualquer item de sobrevivência no Pilarzinho.
Escrito por Johnny Pinguela às 18h30
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Cansei Eu não quero ser mais eu. Ninguém gosta de mim como sou. Eu mesmo não vou lá muito com minha cara. Eu quero ser outro. Já tentei me reinventar, alongar, mudar. Fiz dieta, terapia, igreja, jura, bira pra mudar. Mas só descobri um jeito novo de escrever torto. Quando fui duro devia ser flexivel. Quando amigo, devia ter sido esperto. Se abro a boca sou falastrão. Se fico quieto, sou indiferente. Agora, eu cansei e não quero ser isso. Eu quero ser como a apresentadora Angélica. Ela tem amigos, carreira, familia, respeito, futuro. Angélica ganhou aos cincos anos concurso de criança mais linda do Brasil e desde lá tem feito bonito. Eu com cinco não tinha muita gente perto de mim e tenho seguido assim. Na perna da Angélica, até mesmo a mancha negra vira charme. Já as minhas manchas me fazem lazarento. Eu sou um leproso em piscina de areia movediça. Quanto mais me mexo, mais me afundo. Cansei de causar inquietação, rancor, inveja, vergonha, ciúme, despeito, juros sobre juros do que não queria comprar . Agora, como um drops de menta ruim, estão me guspindo para fora. Eu acho que texto pessimista só me faz mais pessimismo. Mas escrever o que? Vou a igreja, busco me segurar na fé. Até nisso queria ser melhor. Não sou um cristão modelo, de missa e tal. Mas meu senhor, tem dó, eu sou mais cristão que Angélica!!! Johnny Pinguela.
Escrito por Johnny Pinguela às 16h00
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Neusinha do Ai Como manadas de búfalos do oeste selvagem, elas já dominaram a terra. Com suas roupas feitas em costureira, desdém por dietas e orgulho dos assobios, elas desfilavam pela vida com desenvoltura de potranca e graça de felina. Elas eram as grandes bundas selvagens. Que alegria, amigos, que satisfação! Vê-las nos coletivos da CMTC, na aula de Inglês do CCAA e, principalmente, na saída da metalúrgica Metaltex, na Vila Olímpia da minha meninice. Sabem, antes da Vila ser esse antibairro da moda, com sobrados transformados em escritório e escolas engembradas em bares, o bairro tinha muitos sobrados e algumas empresas. Num desses sobradinhos eu crescia, e numa dessas empresas a Neusinha brilhava. Eu não sei o que a Neusinha fazia na Metaltex, mas quando ela saía do expediente a molecada fazia “ai”. Não era um “ai” de dor. Era mais um “ai” suspirado. Um “ai, eu vou pro inferno”. O “ai” da Neusinha era indefensável, único, marcante. Tanto que o Daniel começou a chamá-la de “Neusinha do Ai”, e o nome pegou feito fogo no Joelma. Ver a bunda selvagem da “Neusinha do Ai” na saída da Metaltex era como assistir a desfile de pavões no concreto da cidade. Cada dia a Neusinha aparecia com um show colorido e sacana para pintar nossa puberdade. Sempre uma roupa feita em casa, sob medida, justa e costurada para alinhavar nossa imaginação naquelas ancas voluptuosas por natureza e arrebitadas por necessidade de subir a Cardoso de Melo até o lotação na Avenida Santo Amaro. A turma fingia que esperava o estacionamento da metalúrgica esvaziar para jogar golzinho, mas esperava mesmo era a goleada da Neusinha do Ai. Como torcedores de uma escola de samba, imaginávamos o desfile de antemão. “De calça vermelha”, afirmava o Dedão. “Não! De vestido amarelo e tanguinha preta”, ansiava o imaginativo Daniel. Enquanto isso eu torcia em silêncio pelo melhor de todos: o macacão branco. Copiado de alguma revista da moda, e praticamente colado no corpo, o macacão branco transformava a Neusinha numa Vênus de arrabalde, era quase uma aparição, um búfalo branco no meio da manada de Cadilacs, Sharons e Gretchens da minha imaginação. Certa vez, numa sexta-feira de janeiro, Neusinha parcipou de um happy hour de pobre no bar do seu Oscar. Cerveja, queijo prato cortado em cubos e samba. Não teve futebol naquela noite quente, mas a Neusinha jogou um bolão. Com o macacão branco, a Neusinha fez a Vila Olímpia inteira parar. Aldo esqueceu da pinga, Dirceu do amargor, Dedão da hora de entrar, os irmãos Dotta de brigar e até o seu Oscar de somar cascos vazios. Meninos, homens e velhos olhavam fixos a Neusinha de branco sambar enquanto no fundo da alma diziam “ai!”. Aquela cena marcou tanto quanto a Marilyn Monroe dançando no vento do metrô. Só que para a Neusinha do Ai quem disse “corta” foi o tempo. Como a infância solta da Vila Olímpia perdeu lugar para as guaritas, as grandes bundas selvagens perderam seu espaço para a bunda criada em cativeiro. Hoje, com tamborim de plástico no lugar do pandeiro de couro, as grandes bundas selvagens fogem da extinção. Mas como um majestoso búfalo branco no alto de uma colina de coisas boas, a Neusinha do Ai segue alimentando meus sonhos. Senão com o “ai” do seu rebolado, mas mais com “ai, que saudade”. Johnny Pinguela
Escrito por Johnny Pinguela às 10h16
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O vôo da Mulher-Dragão Para a mulher que nasce sex symbol não existem muitas escolhas. E para aquela que chega aos 20 sem ser capa de alguma revista é pior ainda. Fazer o quê? Ser caixa do Mercadorama só vai aumentar as filas pelo decote. Operária é desperdício de material. Secretária é ante-sala de divórcio. Médica, arquiteta ou jornalista precisa de muito estudo. Esposa, de muito saco. Pra ser massagista precisa cortar as unhas. Pra ser modelo, cortar comida. Dentista dá acidente. Enfermeira dá pressão alta. Professora, freira, pastora, engolidora de espada dá confusão. Então, o quê? Adriana tentou ser aeromoça. E foi. Fez tudo direitinho e embarcou no Foker 100 de seu sonho. Mas era muito avião pra pouco Foker. Adriana era alta demais para se curvar para executivo careca, tinha peito demais para servir bebidas e, principalmente, muita bunda para trabalhar naquele corredorzinho. Andar, girar, ajoelhar, fechar compartimento de bagagem, travar mesinha era um esforço sem fim para Adriana e para o pescoço da turma. O inferno de Adriana era o show dos passageiros e incômodo da tripulação. O piloto tocava o Foker, mas era Adriana quem comandava as atenções. Uma vez, um piloto meio bêbado lhe disse que “uma aeromoça deve ser aerodinâmica como um Mirage, e não como uma Ferrari”. Era tamanho o carisma da moça que ela foi proibida de fazer aquele mise-en-scène das portas de emergência e das máscaras de ar que caíam. Os passageiros não prestavam atenção, as passageiras beliscavam os maridos e um senhor precisou de oxigênio numa vez em que os cabelos negros de Adriana se soltaram junto com a máscara. A situação já era em si quente, mas Adriana tinha um fogo. Não um fogo que queimava a olhos vistos, mas sim como uma brasa domada sob o azulzinho do uniforme. Adriana sentia o fogo ardendo, mas continha o incêndio. Desde a adolescência tinha essa vontade de sambar, girar no ar, fazer ginástica, se descontrolar como a moça do Flashdance e incandescer. Em casa, após a escola, Adriana gostava de ouvir Madonna e riscar seus fósforos na frente do espelho. Uma vez comprou o disco Erotika, da Madonna. Tinha brigado com o namoradinho e pela primeira vez virou tocha humana. Enquanto Madonna cantava, Adriana dançava e se perdia. Sem perceber, a dança virou transe. Com movimentos lentos, profundos e sinuosos, Adriana parecia estar sendo atingida por um tipo de raio quente de prazer. Por fim, a música acabou, Adriana saiu dos braços do fogo e se olhou assustada para seu estado. Estava suada e seminua. Foi um aviso do que viria. Mas Adriana não ouviu. Seria aeromoça da Avianca! Conseguiu... Mas vivia ouvindo os passageiros cochichando: - Isso sim que é “avi-anca”. - Muito avião pra minha pista. A vida seguiu de embarques e desembarques, Adriana sempre segurando o sorriso diante das piadinhas, mãos bobas de velhinhos e espertas de fazendeiros. Até que um dia, num vôo noturno para Curitiba, Adriana conheceu aquela que seria sua mentora: Kendrya. Kendrya andava com o crachá de puta no peito siliconado. De uniforme colado, transparências estudadas, saltos e perfumes, Kendrya era honesta em sua postura. Não escondia os atributos, pelo contrário, ostentava como Hebe usa diamantes. Vivia sua profissão. Amava a profissão. Dava aulas se preciso fosse e sacava alunas aplicadas. Kendrya sentiu a fumaça de Adriana e percebeu o potencial do vulcão. Por isso, falou de sua vida, seus shows e seus lucros. Depois jogou o anzol de ouro: - Uma menina como você levava fácil uns R$ 20.000,00 só fazendo strip. - Só fazendo show? - Três vezes por semana e nem precisa aparecer. - Como? - Usa uma máscara tipo Mulher-Gato. - Pode ser da Mulher-Dragão? Nascia ali uma lenda. Quem conheceu a Mulher-Dragão sabe que por mais que eu escreva atributos aqui, será pouco. Com o tempo, Adriana foi virando mais passageira e menos aeromoça, com trabalhos agendados de Ponta Porã a Punta del Este. Fez site, fotos num caminhão de bombeiros, desfilou na Sapucaí no alto de um vulcão e participou do Programa do Leão. Quando conheci sua história, fiquei curioso de saber qual foi o momento real da mudança. Quando realmente o rastilho de pólvora chegou ao paiol? Se foi a grana, os olhares, as juras de amor ou a sensação de poder. Nada! Ela me disse que, após um show agendado por Kendrya, se sentiu mal. Apesar da máscara do anonimato e do dinheiro fácil, ela se sentiu estranha, vendida. Foi uma vez e parou. Porém, com o passar dos dias servindo lanchinho, sentindo dores nos pés, passageiros bêbados e suas mãos bobas, veio uma lembrança do controle que ela teve sobre a platéia e o rastilho de pólvora se acendeu. E correu rápido, com o agravamento da crise da aviação, que colocou Adriana em rotas mais cansativas e horários ridículos. As demissões começaram e, por não se vender para o gerente de RH, Adriana sabia que estava na lista. Pressionada, estressada e “puta da cara”, numa madrugada gelada de junho, Adriana acordou às 3h45, vestiu o uniforme, se maquiou e partiu para a noite fria como seu sonho. No caminho para o aeroporto, parou atrás de um caminhão e seu olhar perdido bateu na frase do pára-choque: “Quando a vida lhe virar as costas, passe a mão na bunda dela”. Um avião decolando passou por cima de sua cabeça e levou a aeromoça embora. A Mulher-Dragão tinha pista livre para decolar. Johnny Pinguela
Escrito por Johnny Pinguela às 11h39
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