Nomes engraçados
Ontem fui fazer um lanche rápido no Mac e o Kelvin me atendeu no balcão. Se fosse Kevin eu até não notaria o nome. Mas Kelvin me cutucou o neurônio e voltei para uma aula de física da oitava série. Quantos Kelvin são necessários para aquecer um litro de água? Apesar da piada, acho meio tristes esses nomes engraçados. Vejo lá atrás os pais humildes e macerados pelo glamour da tela tentando passar um pouco do pó de estrela nos filhos. Daí os filhos com nomes engraçados crescem longe das oportunidades de estudo, de alimentação, de respeito e de trabalho e, quando se dão conta, têm que usar um crachá com nome engraçado no balcão do Mac. Por isso, fico feliz quando alguém com nome engraçado vence a barreira anticáries da mídia de sorriso Colgate. Geralmente é um jogador de futebol, tipo Kerison, mas com a internet surgem outros fenômenos, como a Sthefanny. Você se emocinou com a história da Susan Boyle? Pois bem, entenda a Sthefanny como a diarista clandestina semialfabetizada da Susan. Nascida num estado com nome engraçado, Piauí, e batizada com nome de princesa de Mônaco, Sthefanny achou de se coroar como cantora. E assim foi. Gravou fitinhas, dançou na praça, copiou tudo que dizem ser bom na TV e fez clip com as colegas da rua*. Se filho de marceneiro pode ser Rei dos Reis, Sthefanny queria ser Ivete Sangalo. Soube dela porque agora Sthefanny está sendo processada por fazer uma versão ou sampler made-in-Piauí da música de um cantora gringa chamada Vanessa Calton (nome de cigarro), e seu clip no YouTube passou a ser mais assistido que o hit original. As pessoas com nomes engraçados podem copiar o jeito das estrelas, o cabelos das estrelas e a coreografia das estrelas, que tudo bem. Mas quando elas fazem sombra ao brilho da estrela, esta chama o advogado. O clip de Sthefanny tinha mais de 1 milhão de acessos e foi retirado do YouTube. Você pode dizer que Sthefanny é uma vendida, um amálgama de coisas ruins da cultura de massa e que deveria cantar e dançar as coisas do Piauí. Mas pombas, o que tem de cool num areial com palafitas seguradas onde até os corruptos são carrentes? É facil de rir de Sthefanny, chamar de ladra de direitos autorais ou de putinha de beira de estrada. Mas, por outro lado, eu entendo a Sthefanny como um Macunaíma, que come o que vem de fora e regurjita de volta. Ela pegou uma merda gringa, botou sanfona e bombou. Nisso, é melhor que esses sertanejos com chapéus texanos e que roqueiros dando uma de Beatles e Metálica. Sabem, existe por aí um Brasil que a gente não quer olhar e para o qual damos as costas. Vez por outra ele nos assalta no farol, serve no balcão ou cutuca na web. Stheffanny só escolheu o melhor jeito.
Escrito por Johnny Pinguela às 09h11
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O Santo Dinheiro contra o Dragão da Bondade.
Tem uma guerra entre morros nos telejornais. Tiros traçantes pela noite , rajadas de ambos os lados, gritos na sala de reunião, correrias pela redação. De um lado o Bispo Edir da falange do Santo Dinheiro. D'outro, Doutor Marinho, o Dragão da Bondade.
Cada um, do alto do seu morro, mira como olhos gananciosos o morro do alheio. Para eles o morro é poder, é dinheiro, é sustentabilidade do esquema e é ser um tipo de Deus. Então, quanto mais morro conquistam, mais divinos ficam. Na contamão, quando perdem fiel, mais mortais se transformam. Assim, ambos riscão fação no alfalto e berrão com sangue nos olhos : " Aqui que domina é eu!!!Aqui sou Senhor!!! Ibope é meu!!! E besta é tú!!!"
Do alto de seus quartéis, ambos são certos. Beneméritos de seus fiéis. Limpos como asa de anjo. Louváveis como escoteiros de cinema . Um dá esperança as crianças e outro salva os pecadores. Um tá "No Limite" e outro "Na fazenda". Um é mutante. Já foi pastor que via diabo andando de mini saia e agora mostra a bunda da Samanbaia. Outro acha-se Muralha. Encontrou o caminho das indias que nos leva a Juliana Paes, cassetadas e mentiras bem editadas. Um foi amigo do ditadura, outro, inimigo do dito-cujo. Caim e Abel de terno, Blueberry e equipe jurídica.
Indeferente a luta, o morro faminto, olha para cima e pede programação. Nos de a luz, o caminho iluminado, a novela e o seriado. Escapismo é uma droga. Só não vale fugir para a novela da boca ao lado. Assim, o fraldador de eleições acusa o sonegador de impostos. O enganardor de fiéis revela o pé de bode da Angélicva. A planitanada rasga a navalha o evangelista. O maniáco do pulpito fuma crack com galã, Fernanda Montenegro pede perdão, Cid Moreira, aposentadoria. Gomorra se acaba em Sodoma.
E lá no alto, com controle na mão e pé em cima da mesinha, Deus assiste tudo com misto de tédio e desprezo. Porque nesse canal baixo só passa reprise de gente querendo ser maior que Deus.
Escrito por Johnny Pinguela às 16h01
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