O bom exemplo.
Vejam, o exemplo é tudo. A gente não é bem a gente mas o espelho de um exemplo. Nosso jeito de vestir, de falar, de comer, de trepar, de rezar, de existir é um modelo que seguimos. Francisco de Assis dizia que o melhor sermão é ser. Seu exemplo de desapego dos bens e amor ao próximo era seu mais forte argumento. O exemplo é um conselho em negrito. Quanto atletas mirins, ao ver Ossain Bolt no alto do pódio, não dão o primeira passo para chegar lá? No avesso, em outras arenas, nós chegam outros exemplos de sucesso. Vejam o nosso presidente, que goza hoje de mais popularidade que Hitler entre nazistas e o Papá entre cristãos. Com origem humilde, passou fome, perdeu filho por falta de atendimento médico, fez greve, foi preso, lutou por um mundo mais justo e agora defende o Senador José Sarney. Sigamos esse exemplo. Se o amigo por exemplo, foi corinthiano desde de sempre, passe a defender o Palmeiras. Ou se negro for, vire racista que tá limpo, coerente, atual. O mundo gira as certezas rodam, companheiro. Vejam o caso do senador Aluísio Mercadante, um dia usa o termo "irrevogável" e noutro revoga o "irre". Siga seu exemplo. Prometa mas não leve seus filhos ao parquinho, não pague seus débitos, não jure amor para sempre, não cumpra nada a teu Deus. Tudo que se promete na vespera caduca no dia. Convenhamos: compromisso é um lastro. As pessoas que mais sobresaêm na sociedade, nos negócios e nos "reality shows" não tem neuras em dispor de coisas tolas como amigos e valores. Vide o Dado "soca mulher, duas caras" Dolabella na Fazenda. Por ser o pior, foi o melhor. Então, sejamos evoluídos como Presidente Sarney que há 50 anos defende o seu nas altas esferas. A fidelidade ao eleitor é irrelevante diante do fidelidade a necessidade do momento. Amigos, amores, partidos, promessas, ideologias, tudo são como as sobras de um Mac lanche Feliz que a gente depois de saborrear, mete o brinquedo no bolso e civilizadamente divide o restante entre orgânicos e recicláveis. Sendo que o recicláveis pega bem dar um destino melhorzinho para não estragar nosso meio ambiente imediato. Enquanto que os orgânicos são só um tipo de adubo , que por sua vez, é um nome mais cheiroso para merda. Nisso, olhe em volta, todo lugar agora virou uma loja de conveniências. Compre o que for preciso e descarte o que não for mais necessário. Simples assim. Aprender é seguir exemplos. Decore atitudes desse táis cidadões exemplares como se decora a tabuada do 666. Neste quadro negro chamado Brasil , tirando o Kaká, a maioria de quem é eleito, promovido, escalado, valorizado, considerado, santificado como um Bispo Edir o é por ser um bom exemplo de ser humano. Na opinião deles, não na de São Francisco de Assis, é claro.
johnny pinguela. agosto de 09
Escrito por Johnny Pinguela às 10h59
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Meu amigo Dago traduziu um texto então globalizei-me. Valeu Dago Play the Game
While all the girls in my school liked Queen, I liked Iron Maiden. As the girls danced in the party, I banged my head. Queen demanded: “Play the game“... Iron: Run to the hills. I ran. I didn’t know about the rules of love, but I knew what it was to hurt. In my room, alone, with the volume on max, they knocked on my door, but in my heart no one entered. Because who entered, I confess, laughed at me full of acnes. So I loved the iron maiden and hated the queen. In Rock in Rio I watched both, but the queen, with my arms crossed, I pretended not to even notice. Love is a crazy thing, and one day I climbed down the mountain of metal. Took off my rock T-shirt, got a haircut and started to listen to U2. Ultimately, I evolved. Everything happened so I could hurt someone’s heart and have the number of the beast tattooed on my forehead. Since no one can face life alone, one day I was saved by a girl with a big butt. The years went by fast, like a heavy metal solo. I got engaged, married… and now we have a son. We are the champions!!! Today I went by a Moe’s used bookstore and, what luck, some thankless imbecile had gotten rid of all of his CDs from the 80s. Iron Maiden, The Police, Queen. All of them side by side, in the elephant graveyard to which mp3 had them condemned. Three bucks each. I paid fifteen and rescued all of the ones from Queen. After all, it is never too late to be saved from the noise of heavy metal. Or to learn how to play the game of love. Johny Pinguela
Escrito por Johnny Pinguela às 15h58
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À espera do grande golpe Como eu gosto de filme de assalto inglês! Se tem uma coisa realmente boa na Inglaterra, além da música, são os filmes de assalto. Não sei se tem muito assalto na Inglaterra. Deve ser por isso que os filmes são tão bons. No Brasil é só deixar o carro numa rua ou esticar o olho numa manchete de Brasília e tá lá o assalto. Mas na terra da rainha não. Lá assalto é raro como lady com rebolado de mulata. Acho que os filmes saciam a sede por assaltos do britânico trabalhador. Afinal, nada como um cara endividado ver um banco (esse golpe com sede e CGC) ser sacado com um cartão de crédito de dinamite, né? Anyway, adoro filme de assalto inglês! Adoro!!! São sempre inteligentes. Os bandidos usam sobretudo, chapéu, têm fleuma na dificuldade e são educados. Amargurados com a vida, com o amor, bolam um plano genial! O banco do lord, a joalheria da rainha ou o tesouro do marajá. E pá e bola. “Piece of cake!” Mas antes de arrombar a caixa forte e fugir para lugar sem lei como o Brasil, o chefe precisa contratar a quadrilha. Amigos, não há nada como contratar uma quadrilha para filme de assalto inglês. Pra mim, é como o ET decolando com a bicicleta para a lua cheia. O ápice! O chefe do assalto, fodido de saúde, na condicional e querendo livrar a filha bastarda da zona, sai em busca do, digamos, “dream team” do mal. Onde? Em dois lugares bem ruins: antros do submundo e no tédio dos subúrbios. O chefe busca a velha turma, velhos talentos, eternos marginais. O chaveiro que vive como porteiro, o muscle man peão de obra, o piloto motorista de madame, o mineiro guspidor de sangue, o veado maître, the demolition man mal casado, o pastor de araque e o samurai sushiman. Todos reunidos em torno da chance da mudar de vida…de personagem. Sempre espero ansioso pela escolha do time de assalto inglês. São meus irmãos sendo escolhidos para o golpe de suas vidas. “One night, one hit, one live to live”.
Meu Deus, como queria ser escolhido para o time de assalto inglês. Sufocava com a máscara de meia de lycra todas as mágoas, medos e ia para o grande golpe com todo o meu talento natural na mochila cheia de brocas e dinamite.Num filme chamado “The big job”, um arrombador nato se explica para o inspetor: “Não tenho culpa de arrombar fechaduras. Deus me fez assim. Mandem ele para a cana”. Tesão de bom! Também não temos culpa de ser assim amarginalizados. É coisa do nosso cumplice. Eu, no roteiro de um filme de assalto inglês, fazia qualquer coisa (menos ser dedo-duro que sempre se vende). Tanto que, ultimamente, sempre que o telefone toca eu espero que uma voz dura pergunte: “Pinguela, o HSBC do Bacacheri? In ou out? O cofre secreto do Sarney? Right here, right now. Ou um túnel para outra vida. Hey! Ho! Lets go!”. Pego minha capa cáqui, olho no espelho visto boina negra e vou pôr meu nome nos créditos de um filme de assalto inglês.
Escrito por Johnny Pinguela às 10h49
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