Elejamos Judas, então.
Ela vence. Inocenta, alivia, promove, elege e reelege. Vende bem, paga mensalão e até compra o amor verdadeiro. Coloca a culpa em inocente e traz a qualidade do distraído para perto. Engana o cego e encanta o surdo. Remunera, faz propaganda premiada, corre o mundo, faz presidente bonzão. E dizem que ela tem pernas curtas. Que nada, a mentira é que faz o mundo rodar. A verdade? Verdade mal paga a viagem de pé. Mentir rende carreiras, convites, liberdade, cara limpa, grana, horizontes. E verdade rende o quê? O olhar altivo do derrotada na fila do antidoping. Mentirosos são gente bem quista, afamada, poderosa, intocável. Gente que fala verdade morre seca de desgosto. Pode ser câncer, aids, droga, divórcio, fome, mas isso é sintoma. Por traz de tudo vem a idéia de jerico de querer levar a vida na verdade. Engula a língua quem fala mal da mentira!!! Engula!!! Mentir limpa, corrige, dá vantagem e empurra a humanidade pra frente. Verdade, quando empurra, é para o bar esquina e para a escadaria do esquecimento. Pra que cumprir a promessa de campanha de eleição se o povo pede milagres a Santo Expedito? Por que não elogiar a gravata feia do chefe se é do chefe? Pra que correr uma maratona se pode tirar a foto na linha de chegada? Por quê? Pela vergonha na cara! Medo do tribunal! Ética profissional! Ou porque Deus tá vendo! Deus é o pingo d’água na cabeça de quem entra no fim da fila, não de quem fura lá dentro do salão. Dizem que mentira é coisa de fraco. Calúnia! Difamação! Perseguição política! Inveja pura! Pra mentir é preciso coragem, discernimento, técnica. Verdade você diz e foi. “A impressão digital na arma é minha!” Mentira é preciso pensar, sustentar, decorar, dormir e recitar. “A arma era do meu primo, eu estava levando para consertar e esqueci de colocar luva... Bela gravata, delegado.” É, amigos, mentira leva tempo e dá trabalho. Judas teve que ser muito bom para sear com o Senhor. Mentira é coira para gente batalhadora e talentosa. Por isso, quem fura a fila do show merece o silencioso respeito e admiração da fila. Meu conterrâneo Solda, que é cartunista de mão cheia e bolso vazio, diz: "Meu pai me ensinou a ser honesto, por isso devo a ele tudo que NÃO tenho". Grande verdade, Solda! Grande verdade! Mas que devia ser mentira, devia.
Escrito por Johnny Pinguela às 15h13
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